Tinha bastante lixo acumulado nos caixotes e, mesmo de pajama e chinelos, fui à rua para me livrar dos mesmos. Às 21:00, as probabilidades de encontrar vizinhos é quase nula.
Mal saio do prédio, aproxima-se um jovem:
- Mãe, é lixo? Deixa-me levar.
- Não. Deixa-me.
- Mãe, deixa-me levar o teu lixo.
- Já te disse que não.
- Mas eu levo-te o lixo.
Nisto, já ele estava mesmo junto a mim e prestes a deitar a mão aos sacos.
- Não tenho moedas para te dar.
- Não faz mal, mãe, eu quero remexer no lixo para ver se aproveito alguma coisa para mim.
E eu não abri mais a boca, deixei que ele levasse os sacos.
Imagino que ele ainda vá rondar o prédio nos próximos dias, para me pedir alguma coisa pela favor, mas não é isso que me está ocupar a mente neste momento. É saber que estes são episódios (quase) quotidianos por estas paragens.
terça-feira, 25 de novembro de 2014
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Da p*** da distância e da p*** da saudade.
Pela segunda vez consecutiva, a Ema pergunta-me no Skype por que razão não vou a casa dela, por que motive nunca lá vou para brincar com ela.
E se da primeira vez que este episódio ocorreu eu consegui disfarçar - mesmo com ela aos berros a dizer que não gostava de mim e que estava zangada comigo -, agora já não foi tão fácil e não evitei as lágrimas.
Sabemos de antemão que estas coisas acontecem e custam, mas tal não minimiza a dor e o sofrimento.
E se da primeira vez que este episódio ocorreu eu consegui disfarçar - mesmo com ela aos berros a dizer que não gostava de mim e que estava zangada comigo -, agora já não foi tão fácil e não evitei as lágrimas.
Sabemos de antemão que estas coisas acontecem e custam, mas tal não minimiza a dor e o sofrimento.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Se há algo que (ainda) é inevitável, é a morte.
Algum dia teria de acontecer. Estar longe, muito longe, e receber a notícia de um falecimento.
Eu estava entre a caótica repartição de finanças da cidade de Maputo, o almoço, um telefonema de trabalho e a visita a um cliente. Não consegui conter as lágrimas, tive de desligar o telefone porque não conseguia falar, e apanhar um taxi para casa - porque não tive energia para mais. Costumo ser mais forte perante estas situações - principalmente desde há 3 anos - mas pesou o facto de estar sozinha, sem qualquer tipo de apoio emocional e físico.
Este era o momento para fazer uma homenagem, debitar um belo texto sobre a pessoa e como marcou o (meu) mundo. Mas, para já, isso fica comigo.
O meu avô - o único que ainda era vivo - faleceu esta manhã, depois do pequeno-almoço, enquanto descansava/dormitava. O coração parou, simplesmente. Se é que me é permitido dizê-lo, não deve haver melhor forma de morrer.
Tu bem dizias que já tinhas cumprido a tua missão e já era hora de partir. Cheers, grandpa.
Eu estava entre a caótica repartição de finanças da cidade de Maputo, o almoço, um telefonema de trabalho e a visita a um cliente. Não consegui conter as lágrimas, tive de desligar o telefone porque não conseguia falar, e apanhar um taxi para casa - porque não tive energia para mais. Costumo ser mais forte perante estas situações - principalmente desde há 3 anos - mas pesou o facto de estar sozinha, sem qualquer tipo de apoio emocional e físico.
Este era o momento para fazer uma homenagem, debitar um belo texto sobre a pessoa e como marcou o (meu) mundo. Mas, para já, isso fica comigo.
O meu avô - o único que ainda era vivo - faleceu esta manhã, depois do pequeno-almoço, enquanto descansava/dormitava. O coração parou, simplesmente. Se é que me é permitido dizê-lo, não deve haver melhor forma de morrer.
Tu bem dizias que já tinhas cumprido a tua missão e já era hora de partir. Cheers, grandpa.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Saudades
Tenho muitas saudades de ginásio. Demasiadas. Tantas que hoje, ao visitar um ginásio local para averiguar preços e condições, encostei-me ao vidro que separa a recepção da sala de treino e caiu-me uma lágrima.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Farta. Farta. Farta.
De um colega que só se queixa. Já não aguento. Hoje deixei-o a palrar sozinho no chat. Não aguento.
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Vanessa na vanguarda da alimentação saudável
O dia foi tão bom que o meu jantar consistiu em dois copos de vinho tinto e duas barritas de cereais com chocolate.
O cansaço tomou conta de mim de uma uma forma que me levou às lágrimas.
E não, não há aqui motivos para alarmes. É sinal de que o trabalho ainda mexe comigo, algo de que nem todos se podem gabar.
O cansaço tomou conta de mim de uma uma forma que me levou às lágrimas.
E não, não há aqui motivos para alarmes. É sinal de que o trabalho ainda mexe comigo, algo de que nem todos se podem gabar.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Never a dull moment in Mozambique #1
Passa das 18:00 e sento-me no sofá, a pensar no dia de amanhã, principalmente na reunião das 9:00. E penso que, apesar de tudo, não foi um dia assim tão mau e que o melhor é guardar «aquele» copo de vinho para outra ocasião. [Para mim, o vinho bebe-se em ocasiões festivas mas também como antídoto para momentos maus, em que só queres sentir menos o peso das preocupações.]
E pouco depois das 19:00, quase a rumar ao duche quentinho que antecede o pijama aconchegante e a sessão de emails nocturna, o telefone toca. E percebo que não devolvi a chamada à pessoa que me esteve a ligar desde as 7:58.
Atendo, porque a pessoa não tem culpa do meu dia ou do meu esquecimento. E aguento estoicamente. O cliente não tem sempre razão mas a voz do outro lado só trazia verdades quase absolutas.
E após o telefonema, percebo que não se deve cantar vitória antes de se ir para a cama. E o vinho que restava na garrafa é deitado no copo.
E pouco depois das 19:00, quase a rumar ao duche quentinho que antecede o pijama aconchegante e a sessão de emails nocturna, o telefone toca. E percebo que não devolvi a chamada à pessoa que me esteve a ligar desde as 7:58.
Atendo, porque a pessoa não tem culpa do meu dia ou do meu esquecimento. E aguento estoicamente. O cliente não tem sempre razão mas a voz do outro lado só trazia verdades quase absolutas.
E após o telefonema, percebo que não se deve cantar vitória antes de se ir para a cama. E o vinho que restava na garrafa é deitado no copo.
sábado, 18 de outubro de 2014
Não é bem uma queixa mas...
Há tanto para fazer em Maputo que, numa tarde para lá de entediante, mudei o layout do blogue e abri conta no Instagram. Por não ter nada de mais interessante para fazer.
Antes disto, lavei roupa (e estendi-a), varri e lavei o chão da casa toda.
Preciso de filmes e séries novas - séries com 9 e 10 temporadas - e livros. Qualquer coisa que me afaste de trabalho e de snacks gordurosos e calóricos.
[E já estive mais longe de comprar uma bicicleta.]
Antes disto, lavei roupa (e estendi-a), varri e lavei o chão da casa toda.
Preciso de filmes e séries novas - séries com 9 e 10 temporadas - e livros. Qualquer coisa que me afaste de trabalho e de snacks gordurosos e calóricos.
[E já estive mais longe de comprar uma bicicleta.]
Eleições em Moçambique - Vir'ó disco e toc'ó mesmo
Se a manhã começou calma, o resto do dia trouxe aquilo que é a normalidade num processo eleitoral em território africano e, neste caso em particular, em Moçambique.
Os tumultos aconteceram principalmente no Norte, com lançamento de pedras, tiros e gás lacrimógenio lançado pela polícia. Algumas mesas de votos abriram tarde; outras encerraram já depois da hora. Descobriram-se urnas já com votos dentro - e, curiosamente, todos os boletins com a devida cruz no candidato da Frelimo. Enfim, o normal num país africano que vive em democracia (leia-se isto com muuuuuita ironia).
Os resultados oficiais ainda não estão disponíveis mas a vitória da Frelimo é clara, tanto nas presidenciais como nas legislativas. A Renamo, claro, já emitiu um comunicado a contestar os resultados e o próprio acto eleitoral mas, atenção, não irá reagir com recurso à violência. Veremos.
Uma palavra que se ouviu bastante durante a campanha eleitoral - e por parte de todas as candidaturas - foi «mudança». Mas só mudará o nome de quem assina como Presidente. Pouco mais.
Os tumultos aconteceram principalmente no Norte, com lançamento de pedras, tiros e gás lacrimógenio lançado pela polícia. Algumas mesas de votos abriram tarde; outras encerraram já depois da hora. Descobriram-se urnas já com votos dentro - e, curiosamente, todos os boletins com a devida cruz no candidato da Frelimo. Enfim, o normal num país africano que vive em democracia (leia-se isto com muuuuuita ironia).
Os resultados oficiais ainda não estão disponíveis mas a vitória da Frelimo é clara, tanto nas presidenciais como nas legislativas. A Renamo, claro, já emitiu um comunicado a contestar os resultados e o próprio acto eleitoral mas, atenção, não irá reagir com recurso à violência. Veremos.
Uma palavra que se ouviu bastante durante a campanha eleitoral - e por parte de todas as candidaturas - foi «mudança». Mas só mudará o nome de quem assina como Presidente. Pouco mais.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Eleições Gerais em Moçambique - as 3 primeiras horas
Há semanas que não se fala de outra coisa: eleições em Outubro. Que o país pára, que é uma semana de festividades, etc etc.
A verdade é que, quando cheguei a Maputo há apenas uma semana, era visível o reforço da campanha por parte da Frelimo: mais cartazes; bandeiras; automóveis com autocolantes, cartazes e mais bandeiras; pessoas com bonés, t-shirts e capulanas alusivas ao partido e ao seu candidato. Mas, e os outros partidos?
No resto do país, não sei. Mas em Maputo vê-se alguma coisa do MDM (alguns cartazes e, esporadicamente, viaturas com autocolantes e bandeiras) e nada da Frelimo.
Sem querer fazer reflexõess políticas, isto diz muito da democracia em Moçambique.
O dia acordou com muito silêncio. Apesar de as urnas terem aberto às 7:00, não vi grande agitação na rua até às 9:00.
Na televisão, emitiram em directo os principais candidatos - e o actual Presidente - no momento de voto. Com tanta gente «importante» na rua, justificam-se as sirenes.
[Quando o Presidente se desloca na cidade, para além da normal comitiva de viaturas pretas (Mercedes e afins), seguem 1001 motas de policia, uma ambulância e um carro de bombeiros. Welcome to Africa.]
Quando o café em frente a casa finalmente abriu, lá segui para a minha dose de cafeína matinal. Na esplanada, falava-se de eleições e um português na mesa do lado dizia «As pessoas com quem falo falam em mudança. E diz-se que 1 em cada 10 vai votar MDM. Mas lá para o Norte será mais complicado.»
Sim, todos querem mudança, mas não tenho a menor dúvida de que o partido vencedor será a Frelimo. Mudança? Só muda o nome de quem assina; o resto será igual. Mas logo veremos.
A verdade é que, quando cheguei a Maputo há apenas uma semana, era visível o reforço da campanha por parte da Frelimo: mais cartazes; bandeiras; automóveis com autocolantes, cartazes e mais bandeiras; pessoas com bonés, t-shirts e capulanas alusivas ao partido e ao seu candidato. Mas, e os outros partidos?
No resto do país, não sei. Mas em Maputo vê-se alguma coisa do MDM (alguns cartazes e, esporadicamente, viaturas com autocolantes e bandeiras) e nada da Frelimo.
Sem querer fazer reflexõess políticas, isto diz muito da democracia em Moçambique.
O dia acordou com muito silêncio. Apesar de as urnas terem aberto às 7:00, não vi grande agitação na rua até às 9:00.
Na televisão, emitiram em directo os principais candidatos - e o actual Presidente - no momento de voto. Com tanta gente «importante» na rua, justificam-se as sirenes.
[Quando o Presidente se desloca na cidade, para além da normal comitiva de viaturas pretas (Mercedes e afins), seguem 1001 motas de policia, uma ambulância e um carro de bombeiros. Welcome to Africa.]
Quando o café em frente a casa finalmente abriu, lá segui para a minha dose de cafeína matinal. Na esplanada, falava-se de eleições e um português na mesa do lado dizia «As pessoas com quem falo falam em mudança. E diz-se que 1 em cada 10 vai votar MDM. Mas lá para o Norte será mais complicado.»
Sim, todos querem mudança, mas não tenho a menor dúvida de que o partido vencedor será a Frelimo. Mudança? Só muda o nome de quem assina; o resto será igual. Mas logo veremos.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Preciso urgentemente de me fixar num país
Mesmo a trabalhar a partir de casa, hoje saí antes das 9:00 e só regressei às 22:00. Vesti o pijama, tirei as lentes e sentei-me em frente ao computador. Decidi «desligar» 3 minutos antes das 24:00.
Sei que é uma questão de gestão de tempo e de prioridades - e eu nisso até nem sou má de todo. Mas do que eu preciso mesmo é de me fixar numa cidade, num país. Para poder calçar uns ténis e fazer umas caminhadas, umas corridas, sei lá. Sinto uma falta tremenda de ginásio. Sinto mesmo saudades de praticar desporto.
Mas tenho de assentar arraiais. [Se é assim que se diz...]
Sei que é uma questão de gestão de tempo e de prioridades - e eu nisso até nem sou má de todo. Mas do que eu preciso mesmo é de me fixar numa cidade, num país. Para poder calçar uns ténis e fazer umas caminhadas, umas corridas, sei lá. Sinto uma falta tremenda de ginásio. Sinto mesmo saudades de praticar desporto.
Mas tenho de assentar arraiais. [Se é assim que se diz...]
domingo, 6 de julho de 2014
Um post por dia nem sabes o bem que te fazia.
Não me parece que o consiga, mas vamos tentar escrever com mais regularidade. Tentar é a palavra a reter.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
TGIF
Vento que levanta
tudo o que é areia. Areia que se nos entra pelos olhos e ameaça destruir as
lentes de contacto. Frio e calor. Burocracias. E mais burocracias. Um sorriso
que revela tanto cansaço que já não convence ninguém a fazer um «favorzinho».
Falta de comunicação. Contam-se as coisas às mijinhas como se de assunto de
Estado se tratasse. Assume-se tudo, assume-se nada. Don’t assume, it
makes an ASS out of U and ME. E gente mal-educada. E depois sair para a rua e ver gente que anda
descalça e se senta e come no chão. Bom, há quem tenha tido um dia pior do que
o meu. Ainda bem que é sexta-feira.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Momento estranho do dia
O meu antigo manager vir ao meu encontro, expôr-me
uma situação, e terminar com... Devo
enviar este pedido a ti, para autorizares?
Não, isto é tudo
muito estranho. Ainda.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
KDay Festival
Pois que há uns
tempos recebi um email da minha rica mãe a pedir para escrever e contar
novidades. Não sei se ela se referia ao blogue ou ao simples acto de responder
ao email, mas vamos pela primeira hipótese porque é um 2 em 1.
Já estou nas
novas funções, em modo oficial, desde o dia 1 de Abril, mas continuo pela Cidade
do Cabo, sem data prevista para me mudar para Maputo. Confesso que esta
incerteza, tão própria de África, me deixa algo inconformada por não me
permitir planear atempadamente a mudança. Tenho de vender o carro, empacotar as
minhas coisas, deixar o apartamento – e para isto, preciso de datas; o
escritório também tem de ficar mais ou menos vazio; e, claro, as festas de
despedida! Não só tenho de me preocupar com as minhas «coisas» como também
sinto a pressão dos que me rodeiam, que esta gente gosta é de festa, comida e
bebida (e as minhas roupitas provam isto mesmo). Vida dura!
Enquanto este
impasse burocrático não se resolve, vou (sobre)vivendo, claro. Posso não relatar
todos os pormenores no blogue e/ou no Facebook, mas tenho preferido viver a
vida ao vivo e a cores...
Depois de mais
uma semana INTENSA em Maputo, dormi 5 horas e rumei a um festival de música –
Kday – patrocinado por uma estação de rádio. Pelo cartaz e pela localização,
pensei que seria coisa parecida com o Sudoeste (mas apenas 1 dia) mas, para
minha grande surpresa, havia famílias inteiras a piquenicar no recinto. Sim, a
piquenicar: com cadeiras, mantas, chapéus de sol, marmitas, tudo num ambiente
muito familiar e descontraído. Apesar do calor, a Lauren e eu tomámos a decisão
certa de deixar o chapéu (de praia) no carro e levámos apenas uma pequena manta
para nos sentarmos. De facto, durante o dia, andámos sempre entre o bar (que
tinha esplanada) e os «acampamentos» de pessoas conhecidas que íamos
encontrando... e não conhecidas também, que por sermos apenas 2 facilmente nos
infiltrávamos em qualquer lado. A beber baldes de cerveja de meio litro desde
as 11h e pouco, não demorou muito para a Lauren me começar a apresentar a todos
como «my Portuguese friend». É o que ela faz sempre e eu adoro, farto-me de
rir! Acho que se tornou numa boa estratégia para conhecer gente em bares, haha!
Conhecemos 2
«velhas malucas» (50-60 anos) que pediram para se sentar em metade da nossa
mesa e com quem nos divertimos muito, muito mesmo. A certa altura, elas
repararam num jovem que se passeava entre as mesas, em tronco nu, exibindo uma
série de tatuagens. Uma das senhoras comentou que ele devia ser cabeça oca e
nem sequer saber que significado tinha cada uma das tatuagens. Tanto insistiu
nisto, que a Lauren chamou o rapaz. Calada que nem um rato, lá ouvi o rapaz
explicar cada uma das obras de arte que lhe cobria o tronco – e as nossas
amigas lá tiveram de engolir o sapo. Quando lhe perguntaram qual a ocupação,
ele disse:
- Sou engenheiro de software... mas a Vanessa
parece-me mais uma rapariga de hardware.
E com isto olhou
para mim e riu. Eu, que mal abrira a boca até então, corei EM GRANDE e permaneci
calada até ele ir embora.
Adorei a música,
adorei o ambiente. A oferta ao nível da comida era imensa, os preços
acessíveis, WC bastante razoáveis e sempre limpos. Sem dúvida que voltarei, se
ainda por cá estiver.
Deviam ser umas 2 da tarde...
As nossas amigas...
Não me lembro do nome do jovem. Era suposto ser uma selfie mas a Lauren falhou um pouco :)
Eu e a Lauren.
Mi Casa
Mi Casa - este é o João.
A caminho de
casa, parámos numa estação de serviço para comer um hambúrguer, que eu nem
acabei tal o cansaço, e enquanto esperávamos pela comida, ela diz:
- Olha, parece o J’ Something dos Mi Casa.
[Pequena nota
informativa: J’ Something é o nome artístico do João, um português que cresceu
em Joanesburgo e é vocalista dos Mi Casa, o grupo do momento na África do Sul,
autores do mega-hit Jikka, e que
tinham estado a actuar no festival.]
Eu olho para trás
e digo, meio a dormir:
- Não parece, é mesmo ele.
- OMG, Vanessa, é mesmo ele!
- Se eu tivesse menos 20 anos e estivesse menos
cansada e mais bêbeda, já ali estava a chateá-lo, a dizer que também sou tuga,
bla bla.
- Vai lá, Vanessa! OMG, a Zoe e a Robyn vão ficar
cheias de inveja!
- Não sei, é um bocadinho foleiro fazer estas
coisas com esta idade.
- Não sejas assim, vai lá.
E eu fui. Falei
num misto de português e inglês e o rapaz «cagou» para mim. Eu sei que ele
estava cansado e com fome (também eu!) e, muito provavelmente, com pouca
vontade de aturar gente (também eu!)... mas podia ter sido um pouquinho mais
simpático. A Lauren, que assistiu de longe, diz que ficou a odiá-lo e que eu
não podia arranjar desculpas para a atitude dele. Eu estava mesmo cansada e
tentei desculpá-lo ao máximo.
Fui a dormir até
casa da Lauren e a conduzir a 30 km/h e de janela aberta até à minha casa, para
que o frio da noite me mantivesse acordada. Sabe Deus o quão exausta eu estava
depois da semana em Maputo.
A «Chuva» da Mariza em Cape Town
Aumentar o volume e prestar atenção à música de fundo. No café Vida & Caffe, em Gardens, no dia 19 de Abril.
Lá atrás, podem ver muita coisa escrita em português, também. Já me aconteceu não reparar no café gelado e perguntar se não tinham iced coffee. Isto é que a minha cabeça está boa!
Lá atrás, podem ver muita coisa escrita em português, também. Já me aconteceu não reparar no café gelado e perguntar se não tinham iced coffee. Isto é que a minha cabeça está boa!
Desabafo
Ultimamente, o
trabalho é o meu refúgio. Não tenho mais nada de interessante para fazer? Sim,
claro. No intervalo das viagens e nestes inúmeros feriados com que a África do
Sul nos tem presenteado tenho aproveitado para ler e dormir. Mas se a minha
cabeça não estiver 100% ocupada com algo verdadeiramente absorvente, o meu
pensamento vai para coisas bem mais tristes e mergulho numa angústia e numa
melancolia tão profunda que me tem deixado em lágrimas no escritório, no café,
no aeroporto.
Isto é um
problema meu, como é óbvio, o de não conseguir lidar com certas emoções. Mas eu
não consigo entender, por muito que me esforce, o que leva certas pessoas a
tomar determinadas atitudes. Ou numa pessoa em particular, a não tomar qualquer
atitude. Não há pior do que a indiferença. Porque o amor e o ódio aproximam as
pessoas; a indiferença é que as afasta.
Vou ter saudades disto #1
Vou ter saudades
do café onde já nem preciso de dizer que o meu café é black, no sugar, no milk. Black like you. E onde o telemóvel e o
portátil reconhecem logo wi-fi.
sexta-feira, 14 de março de 2014
Mais uma voltinha, mais uma viagem.
Então, Vanessa? Que te deu para voltar a empacotar os teus pertences e
rumar a outro país? Viraste nómada?
Eu sei o que deve estar a passar pela cabeça de muitos. À primeira vista,
pode parecer um downgrade. Quem deixa
a Cidade do Cabo, o melhor que a África do Sul tem para oferecer, rumo a
Maputo, com a sua temperatura sufocante e as suas estradas cheias de buracos e
com pouco ou nenhum alcatrão? Quem troca uma cidade cosmopolita q.b., com uma
atmosfera quase europeia, por Maputo?
Sim, o estilo de vida é substancialmente diferente, mas a oportunidade, do
ponto de vista profissional, era quase irrecusável. Desafios como este
raramente nos aparecem 2 vezes. Eu não sou viciada em trabalho mas não nego que
dou muita importância a este aspecto. Será um cargo que testará a minha
versatilidade, a minha polivalência, a minha paciência (sobretudo a minha paciência), mas que também me poderá abrir outras
portas. Em termos de crescimento profissional, é uma oportunidade única.
Não nego que houve nesta decisão uma grande – ENORME – influência do lado
emocional de mim. É um regressar à casa onde nunca morei mas que sinto que
conheço desde sempre. Pensei muito na minha família, na minha mãe, na minha
avó... Não sou pessoa de acreditar no Destino a 100% mas isto tem dedo da
Beatriz Galvoa, que anda lá em cima a mexer uns cordelitos pela neta! Além
disso, tenho amiguinhos sobralenses a viver em Maputo: há lá coisa melhor do
que chegar e ter caras mais do que familiares à minha espera? Acho que até
vamos começar uma comunidade chamada Little Sobral!
Há muito trabalho pela frente – tenho um apartamento para despejar, um
carro para vender, muita coisa para empacotar. Os meses de Abril e Maio serão
de transição, farei algumas viagens entre as duas cidades, e muita coisa
dependerá da burocracia. Acho que nem vou ter tempo para festas de despedida
(já tive de declinar convites e tenho bilhetes para um festival para vender),
mas algumas amigas já estão a tentar organizar alguma coisa.
Apesar de só começar oficialmente no dia 1 de Abril, esta semana já foi
marcada por reuniões e apresentações que me deixaram perfeitamente aterrorizada...
Ontem, por exemplo, estava pronta para ir para casa às 11h, tal a exaustão
causada pela primeira reunião.
Bom... Mas o certo é que, 40 anos após a Revolução dos Cravos, lá vou eu
para a Pérola do Índico!
terça-feira, 4 de março de 2014
A saga que se avizinha por causa de um certificado de registo criminal
Por razões que
permanecem ainda em segredo de Estado, vou precisar de obter dois certificados
de registo criminal, um português e outro sul-africano.
Estava eu
preparada para toda uma saga a desenrolar-se por email e telefone entre Lisboa
e a Cidade do Cabo, quando me apercebo que este certificado, mesmo para quem
está no estrangeiro, é de fácil obtenção. É certo que, aquando do processo do
visto, foi o mais fácil de conseguir (é imediato), mas não esperava facilidades
estando eu do outro lado do mundo. Menos mal... o Português gosta tanto de
dizer mal do seu país e das suas instituições que até se esquece de que algumas
até funcionam bem. E se compararmos com a realidade africana, é um paraíso.
Sigo então para a
Internet e começa-me a faltar o ar... Euzinha, criatura a residir na África do
Sul desde Dezembro de 2012, tem de reunir o seguinte para obter um «simples»
certificado:
Dados pessoais: nome completo; data e local de
nascimento; morada na África do Sul; telefone; nome, morada e telefone da
entidade empregadora.
Cópia do passaporte
Pedido formal do certificado de registo criminal
Prova de pagamento de franquia (mas dados para
esse pagamento nem vê-los)
Conjunto completo de impressões digitais (que tem
de ser obtido numa esquadra)
Envelope com morada e selo para que nos possam
enviar o documento
Depois de ter
tudo isto (mal posso esperar por ir passar umas horas à esquadra), toca de
meter num envelope e enviar para Pretória. E chegando a Pretória, o que
acontece? Segue-se uma espera de 6 a 8
semanas até à emissão do
dito.
Se houve coisa
que aprendi rapidamente por estas bandas foi a não criticar em demasia alguns
dos hábitos e costumes locais no que diz respeito ao funcionamento de bancos,
instituições, etc. É certo que há aspectos que ainda são próprios de um país de
3º Mundo, mas a Europa não é propriamente um modelo a seguir; aliás, quem se
atreve a exultar a glória europeia leva logo com piadas da crise e coisas como
«Se a Europa é tão boa por que razão vocês fogem para África? Por que não ficam
lá?» Nunca tive de ouvir isto mas sei que é comum acontecer.
De qualquer
forma, com algum tacto, comentei com algumas colegas esta demora no
processamento de algo relativamente simples e a resposta não se fez esperar:
«Pfff, isso é coisa para ficar em cima da secretária durante 5 semanas, só
pegam nisso quando começa a ganhar pó.»
Eu até que nem me
importo que o papelito demore quase 2 meses mas sei de 2 ou 3 pessoas daqui
que não vão gostar nada...
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
E tu, tens saudades minhas?
Na sexta-feira,
bem ao final do dia, e depois de uma semana algo peculiar, recebo um email de
Portugal que terminava desta forma:
Beijos, beijos, de muita saudade, mas muito orgulho.
***
Pouco mais de 24
horas depois, alguém me abraçou e disse:
Vou ter muitas saudades tuas.
[E se o álcool é
o soro da verdade, não tenho razões para duvidar da veracidade da afirmação!]
Apercebi-me que,
com excepção da minha mãe e dos meus meninos da catequese, há muito tempo que ninguém me dizia ter saudades minhas.
Não me estou a queixar - e desde já as minhas desculpas se estou a esquecer-me de alguém - é apenas um desabafo de quem está longe...
Não me estou a queixar - e desde já as minhas desculpas se estou a esquecer-me de alguém - é apenas um desabafo de quem está longe...
Estas duas pessoas
não sabem, nem vão saber, mas tornaram o meu fim-de-semana ainda mais especial.
Constatações de um sábado à noite
As discotecas são o mesmo em qualquer canto do mundo. Homens e mulheres comportam-se da mesma forma. E eu nunca deixarei de parecer uma adolescente tontinha sempre que oiço Bryan Adams e Bon Jovi.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
O contacto com os «locais» (com meses de atraso, eu sei, mas o texto até foi escrito assim que cheguei de Luanda)
Se há coisa de que gosto quando viajo é de
interagir com os «locais». E fora da Europa essa interação ganha contornos
ainda mais interessantes.
Comecei a rir, literalmente, à
chegada a Luanda. Depois de uma eternidade na fila para verificação do
passaporte, aproximei-me do guichê com um sorriso na cara. Não me recordo se
estava assim tão feliz com a vida, mas o meu rosto parecia reflectir isso mesmo.
O jovem que me atendeu pegou no passaporte e disse:— Que bom ver tanta alegria no rosto.
— Olhe, como dizem no meu país, tristezas não pagam dívidas.
— Mas a alegria também não.
Pronto, vi logo que ia ser uma semana divertida. (Mas o jovem tem razão.)
O hotel não correspondeu bem às
nossas expectativas e tivemos algumas dúvidas quanto a actividades paralelas e
quiçá ilícitas que pareciam estar a decorrer em alguns quartos, especialmente
no segundo andar. Mas como estávamos lá através da Embaixada Britânica e os
funcionários mostraram-se bastante disponíveis desde o primeiro minuto, não
insistimos na mudança e fomos fechando os olhos a algumas coisitas. No entanto,
houve um episódio na primeira noite que marcou o resto da minha estadia…
Um amigo de Cape Town estava também
em Luanda e ainda não tinha tido oportunidade de falar com ele. Como a rede wireless nos quartos não funcionava,
desci ao lobby para poder estabelecer
contacto via WhatsApp (com ele e com
colegas de Cape Town). Estava eu muito bem agarrada ao meu telemóvel e
aproxima-se de mim um «local», vindo do bar/restaurante:
— És tu que és a artista?
— Não.
— Tu não és a artista portuguesa que vem aqui cantar?— Não.
— Tens a certeza.
— Pois claro que sim, tenho a certeza.
— Tu sabes que Angola e Portugal… Nós somos todos irmãos.
— Pois… [Por esta altura, acho que já me tinha
chegado ao nariz o cheiro a álcool.]— Como é que tu te chamas, portuguesa?
— Não interessa.
— Somos de países irmãos, diz-me como te chamas.
Após muita insistência, lá disse:
— Sou a Maria. Bem português, não é?
— Vês como não foi difícil, Maria? Prazer em conhecer-te, espero que
gostes de Luanda.
E ao encaminhar-se para a saída,
vira-se para a recepcionista e começa a falar de mim. Até que a recepcionista,
esperta nas horas, remata a conversa com:
— Ela não se chama Maria. Chama-se Vanessa e é hóspede deste hotel.
Claro que a minha vontade foi
dar-lhe um berro. Já agora, por que não dar o número do meu quarto, hein?!
Depois deste episódio, não havia
empregado homem naquele hotel que não soubesse o meu nome: era vê-los passar
por mim na entrada e nos corredores e desfazerem-se em sorrisos e salamaleques
e quase ignorarem o meu colega de trabalho, colega esse que na verdade é
director.
Como referi antes, foram muitas
horas passada no banco de trás do carro, o que deu azo a muitos momentos de
conversação com o motorista.
Sem querer dizer explicitamente que
Angola é uma ditadura-disfarçada-de-democracia, aludimos à actual situação
política do país e ao facto de o partido que está no poder deter o controlo de,
digamos, «muita coisa». O que é que o moço nos diz?— A democracia é uma coisa perigosa. As pessoas acham que são livres e que podem dizer e fazer muitas coisas. É melhor haver alguém que dê ordens e diga o que elas podem fazer.
Palavras para quê?
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Happy 2014!
Mais uma curta passagem por Portugal. A maior parte das
pessoas não me viu; o tempo não esteve para grandes passeios pelas ruas do
Sobral e até a loucura das mensagens de Natal me passou um pouco ao lado.
Os meses de Novembro e Dezembro foram extremamente
cansativos para mim em termos de trabalho, com muitos prazos, muitos
contratempos e ainda mais desafios que nunca pensei ter de enfrentar. A pressão
foi imensa. E quando, em países diferentes, recebemos emails da directora geral, às 10h da noite, a mandar-nos deitar e
dormir, já dá para ter uma ideia da intensidade dos últimos dias.
Falhei jantares e momentos de convívio; perdi finais de
tarde magníficos. Foram dias e noites em frente ao computador, fins-de-semana enfiada
no escritório. Por isso, nada nem ninguém me podia tirar aquilo que eu mais
queria e precisava: duas semanas de puro descanso em casa dos meus pais.
Apesar da lufa-lufa própria da época, consegui ter um Natal
simples mas que me encheu o coração (e a barriga)… Ema, alguma família, alguns
amigos, muita comida da mãe, cama, sofá e TV, algumas lágrimas mas muitas
gargalhadas.
Ouvi queixas e reprimendas, senti olhares acusadores, mas
não tinha sequer energia para contestar. Se alguém se sentiu ofendido por não
ter recebido uma mensagem, um telefonema ou uma visita por parte da minha
pessoa, que apresente a sua reclamação rapidamente ou cale-se para sempre,
hehe!
Acho que por volta do dia 3 ou 4 já eu sabia que, desta vez,
a partida ia ser ainda mais difícil. Não consigo explicá-lo de forma racional,
foi mesmo muito difícil. Quando estamos longe, habituamo-nos à ausência óbvia de
algumas pessoas, coisas e lugares. Mas também rapidamente nos habituamos àquela
que sempre foi a nossa zona de conforto, e embora a África do Sul seja agora a
minha casa (e eu estou a adorar esta aventura!), não deixa de ser triste mas
assustador voltar a deixar o ninho, a casa dos pais, aquele lugar onde nada nem
ninguém nos magoa porque não há mal algum no mundo que um abraço do pai ou a
comida da mãe não cure.
O regresso ao trabalho foi quase um choque. Muito do que
deixei preparado para terceiros estava na mesma, parado; a nossa assistente
estava em casa desde o Natal, sem previsão de data de regresso… nem sei, quase
levei as mãos à cabeça. Sem apetite, com as horas do sono trocadas nem os
elogios relativamente ao meu new look
me animaram.
Mas, como em muitas outras situações da vida, é também uma
questão de mind setting. Dois dias a trabalhar
a partir de casa para me organizar, uns comprimidos para dormir e ontem acordei
a sentir-me como nova. E a forma como nos sentimos por dentro passa para fora:
quando cheguei ao escritório houve quem me dissesse “You look fantastic, Vanessa!”, ao que eu respondi “I feel fantastic!”
Hoje teve lugar a apresentação dos resultados da empresa e
toda a equipa teve direito a um enorme reconhecimento por parte dos directores
locais, mas também internacionais, pelos objectivos atingidos. Fui uma das
pessoas que teve direito a um reconhecimento individual (como exemplo dos
desafios que tivemos, fora do âmbito das nossas funções habituais), com uma
breve menção ao trabalho desenvolvido em Maputo e, até, uma pequena salva de
palmas. Pequenas coisas que, quando se juntam, se tornam grandes.
Por isso, e tal como combinei com a Lauren e a Ashleigh, o
ano novo começa esta semana! Happy 2014!
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