quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Nunca digas que nunca


Um dos hábitos locais que mais me incomodou quando cheguei à África do Sul foi a forma como as pessoas se cumprimentam, especialmente os Africânders (ou Afrikaans): o beijo na boca. Sou pessoa que respeita os hábitos e costumes dos diferentes países e culturas, e este não é excepção, mas incomodou-me.

Incomodou-me e ainda me incomoda, dois anos volvidos. Tenho-me safado sempre com os abraços, que também é coisa de que se gosta muito por estas bandas, mas agora... A verdade é que muitos dos meus colegas e amigos sul-africanos esquecem frequentemente que sou estrangeira – e, logo, não partilho os mesmos costumes – e cumprimentam-me com o tal beijo nos lábios. E como passei o Natal e o Ano Novo por aqui, bem, foi uma festa!

Eu, que sou pessoas comprovadamente pouco dada a manifestações afectivas para com adultos da mesma espécie com recurso ao toque, estou rendida aos abraços e alguns beijos nos lábios.

Se isto não é vestir a camisola, não sei o que será. Sou uma vendida.
 
 
 

A stroll down memory lane #1





E o clássico...


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Porque até parece mal não fazer uma lista de desejos/resoluções para 2015...


·         Ir a Portugal, pelo menos, 2 vezes: para férias, festas e mimos, e nunca por outro motivo;

·         Fazer umas férias em África: Kruger Park, Zimbabué ou Tanzânia/Zanzibar;

·         Trabalhar que nem uma maluca durante a semana e desligar durante o fim-de-semana;

·         Escrever e ler mais em português;

·         Escrever e ler mais em inglês;

·         Cuidar de mim: médico, ginásio, alimentação, massagens e mais gargalhadas;

·         Começar a ir à missa em Maputo;

·         Pensar em voltar a estudar;

·         Ser mais positiva, tendo noção de que isto vem de dentro;

·         Marimbar-me para os amigos que, 2 anos depois, ainda não conseguem disfarçar o que sentem relativamente à minha partida do país;

·         Não esperar muito de certas pessoas – não vale a pena. Deus fez-nos diferentes por alguma razão.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Episódios quase quotidianos [Maputo]

Tinha bastante lixo acumulado nos caixotes e, mesmo de pajama e chinelos, fui à rua para me livrar dos mesmos. Às 21:00, as probabilidades de encontrar vizinhos é quase nula.
Mal saio do prédio, aproxima-se um jovem:

- Mãe, é lixo? Deixa-me levar.

- Não. Deixa-me.

- Mãe, deixa-me levar o teu lixo.

- Já te disse que não.

- Mas eu levo-te o lixo.

Nisto, já ele estava mesmo junto a mim e prestes a deitar a mão aos sacos.

- Não tenho moedas para te dar.

- Não faz mal, mãe, eu quero remexer no lixo para ver se aproveito alguma coisa para mim.

E eu não abri mais a boca, deixei que ele levasse os sacos.

Imagino que ele ainda vá rondar o prédio nos próximos dias, para me pedir alguma coisa pela favor, mas não é isso que me está ocupar a mente neste momento. É saber que estes são episódios (quase) quotidianos por estas paragens.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Da p*** da distância e da p*** da saudade.


Pela segunda vez consecutiva, a Ema pergunta-me no Skype por que razão não vou a casa dela, por que motive nunca lá vou para brincar com ela.

E se da primeira vez que este episódio ocorreu eu consegui disfarçar - mesmo com ela aos berros a dizer que não gostava de mim e que estava zangada comigo -, agora já não foi tão fácil e não evitei as lágrimas.

Sabemos de antemão que estas coisas acontecem e custam, mas tal não minimiza a dor e o sofrimento.


 



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Se há algo que (ainda) é inevitável, é a morte.

Algum dia teria de acontecer. Estar longe, muito longe, e receber a notícia de um falecimento.

Eu estava entre a caótica repartição de finanças da cidade de Maputo, o almoço, um telefonema de trabalho e a visita a um cliente. Não consegui conter as lágrimas, tive de desligar o telefone porque não conseguia falar, e apanhar um taxi para casa - porque não tive energia para mais. Costumo ser mais forte perante estas situações - principalmente desde há 3 anos - mas pesou o facto de estar sozinha, sem qualquer tipo de apoio emocional e físico.

Este era o momento para fazer uma homenagem, debitar um belo texto sobre a pessoa e como marcou o (meu) mundo. Mas, para já, isso fica comigo.

O meu avô - o único que ainda era vivo - faleceu esta manhã, depois do pequeno-almoço, enquanto descansava/dormitava. O coração parou, simplesmente. Se é que me é permitido dizê-lo, não deve haver melhor forma de morrer.

Tu bem dizias que já tinhas cumprido a tua missão e já era hora de partir. Cheers, grandpa.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Saudades

Tenho muitas saudades de ginásio. Demasiadas. Tantas que hoje, ao visitar um ginásio local para averiguar preços e condições, encostei-me ao vidro que separa a recepção da sala de treino e caiu-me uma lágrima.