E que tal foi o regresso a Portugal, miss V.?
Sempre que estive ausente da minha casa por mais de 3
semanas (férias ou trabalho), o regresso foi sempre estranho, demorando a
voltar a habituar-me aos cheiros e ao lugar das coisas — mas sem deixar de
sentir a familiaridade do espaço. Quando decidi enfiar a parte dianteira do meu
Ibiza no veículo que seguia à minha frente, numa certa manhã, este foi passar 2
semanas a uma oficina, tal o estado em que ficou… Quando regressou às minhas
mãos, parecia que não sabia em que carro estava. Com este histórico, esperava
tudo no meu regresso a Portugal após 7 meses de ausência.Dormi muito pouco nos voos, novamente via Dubai, mais pela ansiedade do que pelo resto: continuo a gostar imenso de voar pela Emirates e perante a notícia de que a TAP já não faz voos directos entre Lisboa e Joanesburgo (para a Cidade do Cabo já não existia há algum tempo), acho daqui a uns tempos já consigo ler os menus em árabe.
Esperava apenas a presença dos meus pais, para evitar cenas
próprias de filmes, certifiquei-me até de que só 2 amigas sabiam a hora
aproximada da minha chegada. O que eu não esperava era ver a minha sobrinha, em
todo o seu esplendor, a segurar um cartaz com a mensagem «Bem-vinda, tia Vané…
Ema, a Terrorista». À sua maneira, foi uma chegada à filme porque me esqueci
completamente da presença dos meus pais (por momentos!) e, ainda na rampa,
agarrei nela e comecei com os disparates habituais. Assim que tirei os óculos
de sol e trauteei If you´re happy and you
know it, clap your hands, ela ri que nem perdida, bate palmas e grita TIA… Foi
muuuiiiiito melhor e muito mais do que aquilo que esperava e vinha a
conjecturar há semanas: sempre pensei que ela me reconheceria mas nunca esperei
que viesse para o meu colo, de imediato, como se tivéssemos estado juntas no
dia anterior! [Até porque ela é pior do que a tia, no que ao mau feitio diz respeito!]
E a sensação de «dia anterior» estendeu-se a tudo o resto,
confesso. A minha casa, Lisboa, o Sobral, Albufeira, Torres Vedras… parece que
estive fora uma semana, apenas, até mesmo em relação às pessoas! O Facebook e o
skype ajudam imenso a encurtar
distâncias, mas só tomei real consciência disso já em Portugal. Ao chegar a
casa dos meus pais, até a minha mãe confessou que parecia que estava ali para
mais um fim-de-semana, como tantos outros… Também é um facto que, para mim, a
vida andou a mil, mas para muitos dos que ficaram em Portugal, tudo ficou
igual.
Tinha algumas coisas marcadas, mas optei por andar pelas
ruas da terra e ir cumprimentando as pessoas. A reacção da maioria das pessoas
foi curiosa, entre o «Estás igual!» e o «Estás com melhor aspecto, Vanessa!».
Não sei que ideia têm as pessoas da África do Sul, ou se pensavam que aquilo
que fazia chegar era mentira, mas a verdade é que este país tem-me tratado bem,
como puderam comprovar!
Para minha grande surpresa, o blogue foi comentado por
muitos. É certo que um dos objectivos foi contar as minhas aventuras pela
África do Sul, encurtar distâncias e evitar ter de contar as mesmas histórias
vezes sem fim, durante o curto período de férias. Mas nunca pensei que as
pessoas seguissem o blogue e reagissem emocionalmente ao que descrevia. Mesmo
que ninguém lesse o que escrevo, continuaria a fazê-lo, mas esta constatação
deixou-me muito feliz e com vontade de não parar.
Brincar com a Ema, discutir com o meu irmão, comer a comida
da mãe, dormir a sesta no sofá dos pais, abraçar as amigas (Mariana inclusive),
conviver com os amigos, beber um café no Montagreste (Pau de Canela e Kenia), comer
uma bola de Berlim na praia, até passear em centros comerciais… foram pequenos
grandes prazeres que me souberam pela vida!