sábado, 27 de julho de 2013

As vacances em Portugal - primeiras impressões


 
 
E que tal foi o regresso a Portugal, miss V.?
Sempre que estive ausente da minha casa por mais de 3 semanas (férias ou trabalho), o regresso foi sempre estranho, demorando a voltar a habituar-me aos cheiros e ao lugar das coisas — mas sem deixar de sentir a familiaridade do espaço. Quando decidi enfiar a parte dianteira do meu Ibiza no veículo que seguia à minha frente, numa certa manhã, este foi passar 2 semanas a uma oficina, tal o estado em que ficou… Quando regressou às minhas mãos, parecia que não sabia em que carro estava. Com este histórico, esperava tudo no meu regresso a Portugal após 7 meses de ausência.

Dormi muito pouco nos voos, novamente via Dubai, mais pela ansiedade do que pelo resto: continuo a gostar imenso de voar pela Emirates e perante a notícia de que a TAP já não faz voos directos entre Lisboa e Joanesburgo (para a Cidade do Cabo já não existia há algum tempo), acho daqui a uns tempos já consigo ler os menus em árabe.

Esperava apenas a presença dos meus pais, para evitar cenas próprias de filmes, certifiquei-me até de que só 2 amigas sabiam a hora aproximada da minha chegada. O que eu não esperava era ver a minha sobrinha, em todo o seu esplendor, a segurar um cartaz com a mensagem «Bem-vinda, tia Vané… Ema, a Terrorista». À sua maneira, foi uma chegada à filme porque me esqueci completamente da presença dos meus pais (por momentos!) e, ainda na rampa, agarrei nela e comecei com os disparates habituais. Assim que tirei os óculos de sol e trauteei If you´re happy and you know it, clap your hands, ela ri que nem perdida, bate palmas e grita TIA… Foi muuuiiiiito melhor e muito mais do que aquilo que esperava e vinha a conjecturar há semanas: sempre pensei que ela me reconheceria mas nunca esperei que viesse para o meu colo, de imediato, como se tivéssemos estado juntas no dia anterior! [Até porque ela é pior do que a tia, no que ao mau feitio diz respeito!]
E a sensação de «dia anterior» estendeu-se a tudo o resto, confesso. A minha casa, Lisboa, o Sobral, Albufeira, Torres Vedras… parece que estive fora uma semana, apenas, até mesmo em relação às pessoas! O Facebook e o skype ajudam imenso a encurtar distâncias, mas só tomei real consciência disso já em Portugal. Ao chegar a casa dos meus pais, até a minha mãe confessou que parecia que estava ali para mais um fim-de-semana, como tantos outros… Também é um facto que, para mim, a vida andou a mil, mas para muitos dos que ficaram em Portugal, tudo ficou igual.

Tinha algumas coisas marcadas, mas optei por andar pelas ruas da terra e ir cumprimentando as pessoas. A reacção da maioria das pessoas foi curiosa, entre o «Estás igual!» e o «Estás com melhor aspecto, Vanessa!». Não sei que ideia têm as pessoas da África do Sul, ou se pensavam que aquilo que fazia chegar era mentira, mas a verdade é que este país tem-me tratado bem, como puderam comprovar!
Para minha grande surpresa, o blogue foi comentado por muitos. É certo que um dos objectivos foi contar as minhas aventuras pela África do Sul, encurtar distâncias e evitar ter de contar as mesmas histórias vezes sem fim, durante o curto período de férias. Mas nunca pensei que as pessoas seguissem o blogue e reagissem emocionalmente ao que descrevia. Mesmo que ninguém lesse o que escrevo, continuaria a fazê-lo, mas esta constatação deixou-me muito feliz e com vontade de não parar.

Brincar com a Ema, discutir com o meu irmão, comer a comida da mãe, dormir a sesta no sofá dos pais, abraçar as amigas (Mariana inclusive), conviver com os amigos, beber um café no Montagreste (Pau de Canela e Kenia), comer uma bola de Berlim na praia, até passear em centros comerciais… foram pequenos grandes prazeres que me souberam pela vida!
 
 
 
 

Dias maus, quem os não tem


Tenho perfeita noção de que quer o blogue quer o Facebook sempre passaram a imagem de que a minha vida na África do Sul só tinha aspectos positivos. No entanto, quem soube ler nas entrelinhas, perceber que também tive e continuo a ter dias menos bons. Não é preciso ser um entendido em Psicologia ou ter um mestrado tirado na escola da vida para se saber que complicações no trabalho ou dias menos bons acontecem em todo o lado, seja na Cidade do Cabo ou em Lisboa. Independentemente da localização geográfica, o que parece ser determinante é a forma como encaramos cada situação, per se. E tenho conseguido encarar os pequenos percalços com muito sentido de humor e alguma descontração.
Após uma semana atípica, em todos os sentidos, deparo-me com um fim-de-semana molhado, muito molhado, e com um carro sem bateria, bateria essa que só poderá ser substituída na segunda-feira, na melhor das hipóteses. Já vi todas as séries e filmes fornecidos pela minha dealer cá do burgo e não tenho a mínima vontade de dar ao meu roupeiro a atenção que ele reclama desde que cheguei.
Sei que há pessoas com problemas reais, verdadeiros dramas, mas eu devo estar possuída por um qualquer descontrolo hormonal, porque a minha vontade de sorrir é nula.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Quase em estado vegetativo


Já sou crescidinha — pelo menos no Cartão de Cidadão — e não tenho de me justificar perante quem quer que seja, mas há várias questões que me têm atormentado o espírito e é por isso que este blogue se encontra em estado vegetativo:

·         Regressei ao trabalho poucas horas depois de chegar: após as emoções próprias do momento, entrar em modo «trabalho» foi algo violento;

·         O fim-de-semana seguinte trouxe 2 festas: ainda bem que a máquina fotográfica de um certo bar da Long Street se estragou, é o que posso dizer. Dormi 7 horas no conjunto das noites mas diverti-me muito. MUITO, mesmo;

·         À boa portuguesa, as noites foram ricas em episódios e momentos (uns mais cómicos que outros): do resumo que fiz a algumas colegas, há quem queira sair comigo já no próximo fim-de-semana. Não sei se aguento;

·         Esperava-se que eu tivesse perdido uns quantos neurónios com tanto divertimento, mas a minha cabeça anda a mil e não tenho conseguido dormir;

·         Como durmo mal durante a noite, os dias no escritório têm custado mais;

·         Tenho muito trabalho acumulado e surgiram tarefas que me obrigam a passar algum tempo em redes sociais como Facebook e LinkedIn… quando chego a casa, tenho pouca vontade de olhar para o computador (já agora, há quem passe o dia nas redes sociais, certo?);

·         Já comecei o post sobre as férias em Portugal, mas tenho optado por ver sites em busca de casa na cidade — má gestão de prioridades, eu sei.


Por tudo isto, dêem-me uns dias para que a rotina se instale de novo e possa voltar a ser um membro activo, produtivo e que contribui para algo.

A título de curiosidade — e porque é destas coisas que a malta gosta, não vale a pena negar — , surgiu-me uma espécie de reacção alérgica na zona geralmente denominada «buço» que me obriga a 2 comentários: não quero que questionem o que andei a fazer no fim-de-semana; e não, isto não vem confirmar o mito de que as mulheres portuguesas têm bigode.