A sexta-feira passada foi muito divertida, com toda uma série
de experiências novas: mais uma vez, apenas com sul-africanos e num ambiente de
danças de salão. Apesar de ter dito desde o primeiro minuto que preferia estar
em cima de uma bicicleta, dentro de uma piscina ou falar de futebol, tive de
ceder um pouquinho e permiti que me ensinassem uns passos de quizomba, salsa e
merengue. Não me dei mal mas não é «a minha praia»; no entanto, disse que podia
oferecer os meus serviços para traduzir as letras (tudo em português e
espanhol).
Diverti-me tanto que perdi o telemóvel, como expliquei no Facebook. Nem sequer posso culpar o
álcool porque não me enfrasquei, fiquei-me pela cidra. Quem estava comigo ficou
mais aflito, tal o peso da responsabilidade de tomar conta de uma menina estrangeira,
mas que fazer? Depois de todas as buscas possíveis e imaginárias pela lendária
Long Street, lá nos rendemos às evidências, e disse mesmo «Nada de stress. Há milhares de crianças a morrer
de fome, há miséria por todo o lado. É apenas um telemóvel.» Uma pessoa chega a
África e aprende logo a relativizar muita coisa.
Depois de todo o dramalhão da madrugada, foi mais uma aventura
para recuperar o número. Comprei outro telemóvel, que remédio!, e segunda-feira
lá regressarei ao mundo dos vivos. É de facto impressionante como nos tornamos
dependentes do telemóvel, especialmente quando temos email, Facebook, WhatsApp e todos os contactos mais do
que preciosos recolhidos nos últimos 10 meses. A nossa vida não depende do
telemóvel, nós é que nos comportamos dessa forma.
Foi, por isso, um fim-de-semana mais do que calmo aqui para
estes lados. Dormi (MUITO) e comecei a fazer as malas para a mudança. Almocei com
a Fatima e a família (são 19:00 e ainda estou cheia – depois queixo-me que a
roupa já não me serve) e tenho aproveitado este final de tarde para responder a
alguns emails e mensagens de amigos e
familiares. Diz que estava a decorrer uma espécie de arraial tuga na
Waterfront, com missa, bênção de barcos, música e eleição de Miss e Mister qualquer
coisa, mas a próxima semana vai exigir muito de mim e eu já não vou p’ra nova.
Amanhã será o último dia de trabalho da Fatima. Foi a pessoa
que me foi buscar ao aeroporto no dia em que cheguei e foi muito mais do que
uma assistente: foi família e amiga. Foi com ela que passei o Natal e a Páscoa;
foi ela que me aturou em todos os momentos de stress laboral; foi ela que me viu nos momentos menos bons, quando
a saudade apertou. Mas partilhámos muuuuuiiiiitas gargalhadas, lágrimas de
alegria, anedotas, cervejas, vinho, muuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiito vinho, muita
comida. E é por isso que será um dia difícil, que vai culminar num jantar
algures num restaurante português. Com muitas lágrimas.
Depois deste adeus, uma priority
meeting (a mais dura desde que aqui cheguei) logo pelas 8:00 da matina. Estas
reuniões sugam-me quilos de energia (antes me roubassem quilos de calorias e
massa gorda, seria divinal), já sei que vou sair de rastos. Às 16:00, vou
buscar as chaves do novo apartamento. E no próximo fim-de-semana, a mudança
definitiva para a cidade. Pelo meio da semana, jantar com os Davies e a
despedida da Amy.
Ah, que bela semana a que me espera!








