sexta-feira, 14 de março de 2014

Mais uma voltinha, mais uma viagem.




Então, Vanessa? Que te deu para voltar a empacotar os teus pertences e rumar a outro país? Viraste nómada?

Eu sei o que deve estar a passar pela cabeça de muitos. À primeira vista, pode parecer um downgrade. Quem deixa a Cidade do Cabo, o melhor que a África do Sul tem para oferecer, rumo a Maputo, com a sua temperatura sufocante e as suas estradas cheias de buracos e com pouco ou nenhum alcatrão? Quem troca uma cidade cosmopolita q.b., com uma atmosfera quase europeia, por Maputo?

Sim, o estilo de vida é substancialmente diferente, mas a oportunidade, do ponto de vista profissional, era quase irrecusável. Desafios como este raramente nos aparecem 2 vezes. Eu não sou viciada em trabalho mas não nego que dou muita importância a este aspecto. Será um cargo que testará a minha versatilidade, a minha polivalência, a minha paciência (sobretudo a minha paciência), mas que também me poderá abrir outras portas. Em termos de crescimento profissional, é uma oportunidade única.

Não nego que houve nesta decisão uma grande – ENORME – influência do lado emocional de mim. É um regressar à casa onde nunca morei mas que sinto que conheço desde sempre. Pensei muito na minha família, na minha mãe, na minha avó... Não sou pessoa de acreditar no Destino a 100% mas isto tem dedo da Beatriz Galvoa, que anda lá em cima a mexer uns cordelitos pela neta! Além disso, tenho amiguinhos sobralenses a viver em Maputo: há lá coisa melhor do que chegar e ter caras mais do que familiares à minha espera? Acho que até vamos começar uma comunidade chamada Little Sobral!

Há muito trabalho pela frente – tenho um apartamento para despejar, um carro para vender, muita coisa para empacotar. Os meses de Abril e Maio serão de transição, farei algumas viagens entre as duas cidades, e muita coisa dependerá da burocracia. Acho que nem vou ter tempo para festas de despedida (já tive de declinar convites e tenho bilhetes para um festival para vender), mas algumas amigas já estão a tentar organizar alguma coisa.

Apesar de só começar oficialmente no dia 1 de Abril, esta semana já foi marcada por reuniões e apresentações que me deixaram perfeitamente aterrorizada... Ontem, por exemplo, estava pronta para ir para casa às 11h, tal a exaustão causada pela primeira reunião.

Bom... Mas o certo é que, 40 anos após a Revolução dos Cravos, lá vou eu para a Pérola do Índico!


terça-feira, 4 de março de 2014

A saga que se avizinha por causa de um certificado de registo criminal


Por razões que permanecem ainda em segredo de Estado, vou precisar de obter dois certificados de registo criminal, um português e outro sul-africano.

Estava eu preparada para toda uma saga a desenrolar-se por email e telefone entre Lisboa e a Cidade do Cabo, quando me apercebo que este certificado, mesmo para quem está no estrangeiro, é de fácil obtenção. É certo que, aquando do processo do visto, foi o mais fácil de conseguir (é imediato), mas não esperava facilidades estando eu do outro lado do mundo. Menos mal... o Português gosta tanto de dizer mal do seu país e das suas instituições que até se esquece de que algumas até funcionam bem. E se compararmos com a realidade africana, é um paraíso.

Sigo então para a Internet e começa-me a faltar o ar... Euzinha, criatura a residir na África do Sul desde Dezembro de 2012, tem de reunir o seguinte para obter um «simples» certificado:


Dados pessoais: nome completo; data e local de nascimento; morada na África do Sul; telefone; nome, morada e telefone da entidade empregadora.

Cópia do passaporte

Pedido formal do certificado de registo criminal

Prova de pagamento de franquia (mas dados para esse pagamento nem vê-los)

Conjunto completo de impressões digitais (que tem de ser obtido numa esquadra)

Envelope com morada e selo para que nos possam enviar o documento



Depois de ter tudo isto (mal posso esperar por ir passar umas horas à esquadra), toca de meter num envelope e enviar para Pretória. E chegando a Pretória, o que acontece? Segue-se uma espera de 6 a 8 semanas até à emissão do dito.

Se houve coisa que aprendi rapidamente por estas bandas foi a não criticar em demasia alguns dos hábitos e costumes locais no que diz respeito ao funcionamento de bancos, instituições, etc. É certo que há aspectos que ainda são próprios de um país de 3º Mundo, mas a Europa não é propriamente um modelo a seguir; aliás, quem se atreve a exultar a glória europeia leva logo com piadas da crise e coisas como «Se a Europa é tão boa por que razão vocês fogem para África? Por que não ficam lá?» Nunca tive de ouvir isto mas sei que é comum acontecer.

De qualquer forma, com algum tacto, comentei com algumas colegas esta demora no processamento de algo relativamente simples e a resposta não se fez esperar: «Pfff, isso é coisa para ficar em cima da secretária durante 5 semanas, só pegam nisso quando começa a ganhar pó.»

Eu até que nem me importo que o papelito demore quase 2 meses mas sei de 2 ou 3 pessoas daqui que não vão gostar nada...