E, semanas depois da minha chegada, tive finalmente possibilidade
de me meter no carro e ir até à praia.
Aproveitei para rumar à Table Mountain e depois descer até
encontrar uma praia. Alguns troços são extremamente íngremes e apertados, que
nem a estrada que liga a Torre a Manteigas (ou coisa do género), mas outros
fazem-se muito bem e há até pontos que servem de miradouros. Fiquei admirada
com a quantidade de pessoas que escolhem a montanha para pedalar, os ciclistas
têm até faixas próprias… Diogo, Pedro, Gualter, não querem organizar uma prova
aqui? As esposas e as crianças ficariam bem entregues!!
Do pouco que vi, este lado da costa não se caracteriza por
largas extensões de areal, mas antes pequenas praias que se foram formando ao
longo dos anos. Em alguns «recantos», surgem como que piscinas naturais de água
salgada que fazem as delícias das crianças: a água é morna, a ondulação
inexistente… hmmm, maravilha!
Passei por Hout Bay, Camps Bay e aterrei em Clifton que,
segundo os guias de viagem, tem das melhores praias da África do Sul.
Mal pouso o saco na areia, aparece logo um pretinho a
balbuciar coisas imperceptíveis. Eu ponho logo o meu ar de turista que vem do
fim do mundo e digo «No English, no English.» Aparentemente, só me queria
perguntar se eu estava interessada em alugar chapéu e/ou cadeira. Pois que não…
embora me viesse a arrepender mais tarde de não ter um chapéu para me proteger
deste maldito sol africano.
Não me senti minimamente insegura; tal como em Portugal, as
pessoas deixam os seus pertences junto ao chapéu e vão para junto do mar,
molhar pés, passear, brincar com as crianças, jogar com as raquetes… o
«normal». Mas se em Portugal há aqueles grupos enormes de malta que gosta de
mostrar os seus dotes futebolísticos, aqui vêem-se belíssimos exemplares do
sexo masculino a praticar as artes do râguebi… ;-)
O mar não estava nos seus dias — a Natureza é muito
temperamental por estes lados — e lembrou-se de invadir a praia, o que obrigou
a levantar arraiais por 2 vezes e recuar uns metros. [Podem ver uma foto da
investida do mar mais abaixo, tirada mais tarde, de um local mais alto.]
Não me deixei ficar por muito tempo porque sentia a pele a
estalar. Vim a constatar mais tarde que aqui, só mesmo factor 50. Numa manhã,
apanhei o escaldão da minha vida. Bem me avisaram, mas eu sou teimosa…Ah, e independentemente da parte do mundo onde estejamos, quando vemos uma família chegar à praia na vulga hora do calor (12:30/13:00), com chapéu, cadeiras, sacos de comida e toalhas, já sabemos que são portugueses… Ahah, só de olhar para eles percebi que eram portugueses e tive a certeza disso quando pegaram no telemóvel para falar para a praia toda. I looooooove Portugal!
Qualidade de vida...
Olha a onda!!!








