sábado, 29 de dezembro de 2012

Uma pequena voltinha pela costa


E, semanas depois da minha chegada, tive finalmente possibilidade de me meter no carro e ir até à praia.
Aproveitei para rumar à Table Mountain e depois descer até encontrar uma praia. Alguns troços são extremamente íngremes e apertados, que nem a estrada que liga a Torre a Manteigas (ou coisa do género), mas outros fazem-se muito bem e há até pontos que servem de miradouros. Fiquei admirada com a quantidade de pessoas que escolhem a montanha para pedalar, os ciclistas têm até faixas próprias… Diogo, Pedro, Gualter, não querem organizar uma prova aqui? As esposas e as crianças ficariam bem entregues!!

Do pouco que vi, este lado da costa não se caracteriza por largas extensões de areal, mas antes pequenas praias que se foram formando ao longo dos anos. Em alguns «recantos», surgem como que piscinas naturais de água salgada que fazem as delícias das crianças: a água é morna, a ondulação inexistente… hmmm, maravilha!
Passei por Hout Bay, Camps Bay e aterrei em Clifton que, segundo os guias de viagem, tem das melhores praias da África do Sul.

Mal pouso o saco na areia, aparece logo um pretinho a balbuciar coisas imperceptíveis. Eu ponho logo o meu ar de turista que vem do fim do mundo e digo «No English, no English.» Aparentemente, só me queria perguntar se eu estava interessada em alugar chapéu e/ou cadeira. Pois que não… embora me viesse a arrepender mais tarde de não ter um chapéu para me proteger deste maldito sol africano.
Não me senti minimamente insegura; tal como em Portugal, as pessoas deixam os seus pertences junto ao chapéu e vão para junto do mar, molhar pés, passear, brincar com as crianças, jogar com as raquetes… o «normal». Mas se em Portugal há aqueles grupos enormes de malta que gosta de mostrar os seus dotes futebolísticos, aqui vêem-se belíssimos exemplares do sexo masculino a praticar as artes do râguebi… ;-)

O mar não estava nos seus dias — a Natureza é muito temperamental por estes lados — e lembrou-se de invadir a praia, o que obrigou a levantar arraiais por 2 vezes e recuar uns metros. [Podem ver uma foto da investida do mar mais abaixo, tirada mais tarde, de um local mais alto.]
Não me deixei ficar por muito tempo porque sentia a pele a estalar. Vim a constatar mais tarde que aqui, só mesmo factor 50. Numa manhã, apanhei o escaldão da minha vida. Bem me avisaram, mas eu sou teimosa…

Ah, e independentemente da parte do mundo onde estejamos, quando vemos uma família chegar à praia na vulga hora do calor (12:30/13:00), com chapéu, cadeiras, sacos de comida e toalhas, já sabemos que são portugueses… Ahah, só de olhar para eles percebi que eram portugueses e tive a certeza disso quando pegaram no telemóvel para falar para a praia toda. I looooooove Portugal!










 
Qualidade de vida...



Olha a onda!!!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Um Natal diferente


Comecemos então pela véspera de Natal, a noite de Consoada… Pois que não houve, os sul-africanos e luso-descendentes com quem me dou celebram apenas o dia de Natal. Claro que foi preciso fazer figura de tola — o que percebia das conversas, as horas que se marcavam, nada fazia sentido até me aperceber (e depois explicaram-me) deste pequeno grande pormenor.
Não pensem que fiquei triste, a sério, quem me viu pôde certificar-se de que eu estava muito animada e com «bom aspecto». Não se trata apenas do espírito e da capacidade de adaptação do ser humano a novas circunstâncias; não querendo ser demasiado lamechas, o Amor, o Carinho e a Fé são autênticas bolhas de oxigénio nestes momentos e só nos ajudam a «ver» e a «sentir» aquilo que é verdadeiramente importante… e a saber aproveitar cada coisinha que nos chega através deste mundo que é o computador.

Por isso, a minha noite de Natal foi passada em casa, com amigos e família… via Skype! Falei com muitos dos meus amigos e famílias, com a minha própria família, vi o que jantaram e até pude ver a Ema abrir os seus presentes!

 
Na manhã de dia 25, hoje, lá me juntei à minha colega Fatima e família para uma celebração na igreja que frequentam. Sendo a mensagem muito idêntica à que podemos ouvir nas celebrações católicas, a missa apostólica destacou-se sobretudo pela informalidade: o sermão foi muito dirigido às crianças (Pai Natal vs. Jesus Cristo), as pessoas permanecem sentadas durante o momento de oração (muitos têm as suas Bíblias) mas levantam-se para cantar. Os cânticos, que são algo a que tomo particular atenção, não são muito diferentes dos nossos mas têm outra vida uma vez que o acompanhamento instrumental é garantido por órgão, bateria e guitarra. Tudo isto acontece numa sala, não garantindo a envolvência quase mística de uma igreja, mesquita ou mausoléu. Mas o essencial está lá — até porque estamos a falar de dois «ramos» do Cristianismo — e pude sentir de uma forma especial o nascimento do Menino, este ano em em terras africanas.
Dali seguimos para a casa dos pais da Fatima, onde os irmãos e cunhados se iam juntar para o almoço de Natal e troca de presentes. Não tem nada que ver com a forma como celebramos em Portugal, mas o espírito é de festa, sem dúvida, e eu passei uma tarde maravilhosa!

Como a fama é algo que me precede, antes das 12:00 já o dono da casa me estava a oferecer uísque. Wow!, pensei eu, somos todos portugueses mas alto lá! Aceitei um copo de vinho tinto e não pude deixar de sentir que estava «em casa» quando me encaminharam para uma mesa com aquelas caixas de vinho com uma pequena torneira… sabem do que estou a falar? Oh, meu Deus, o que eu me ri! Não é uma coisa tão portuguesa?!

Mesmo em casa de portugueses, foi uma espécie de almoço-volante, com saladas e carnes frias, e muitas sobremesas, está claro. A fotografia não o transmite, mas foi comer e beber até a cabeça começar a tombar de sono, juro.
 
A conversa, em duas línguas, foi muito animada. E não pude deixar de reparar que durante uma conversação em inglês, as asneiras saem sempre em português: «Yeah, well, you know how things are. He is a real filho da p***.» A-D-O-R-E-I.
Foi um dia muito bem passado, que mais parecia um almoço de domingo do que um almoço de Natal, mas só posso estar 200% agradecida à Fatima e a toda a família Gonsalves (sim, está bem escrito!) pelo carinho e amabilidade com que me receberam!

Quando cheguei a casa, abri o presente que eles me ofereceram, e esperava-me também um pequeno postal natalício da família que gere o B & B onde estou hospedada. Não estou rodeada de gente querida?

 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Crónicas de uma noite de babysitting


Bom, para dizer a verdade, não há muito a relatar. Num país em que, em período de férias, as crianças se deitam às 20h (no máximo!), uma sessão de babysitting resume-se a ficar no sofá e ver televisão enquanto elas dormem :-)
Os pais seguiram para a festa às 19h30 e eu fiquei com as feras. Às 19h45 beberam o leite com a bolacha Maria, e 5 minutos depois lá disse que estava na hora de lavar dentes e dormir. A Megan, de 5 anos, tentou negociar a coisa, mirando o relógio da cozinha, mas nem pensar!
Escolheram a história do Mr. Messy, ainda falámos do Mr. Tidy e Mr. Neat, a Heather já fechava o olho... e eu levantei-me para apagar a luz.
Mas, espera!, faltava rezar... Ok, disse eu, mas tinham de ser elas a fazê-lo porque eu não sabia, pelo menos em inglês. Nada pode substituir a carinha delas, que me miraram de alto a baixo, como se eu fosse uma aberração por não saber fazer uma coisa tão simples! Rezaram elas primeiro e depois pediram para eu repetir, com elas «Vanessa, you must try, OK?» Felizmente, elas rezam de olhos fechados e eu limitei-me a acompanhar a lengalenga com murmúrios. A fofa da Megan só me disse «Well done, Vanessa, now you can tell your mum and dad you did it.» Tãaaaaooooo querida!
E o resto da noite foi mesmo passado no sofá, em frente ao plasma, com chá e muffins, e a companhia do James. Antes disso, e como eles constroem as casas no meio das propriedades, já tinha tido a oportunidade de espreitar os vários espaços exteriores: espaços vários para refeições, jardim, piscina, barbecue, lounges vários. E não, não andei a cuscar: as casas têm muitas janelas, e janelas imensas, eu podia ver tudo do sofá onde me encontrava sentada! Não são casas luxuosas, nem com muitas divisões, mas demonstram outro ritmo, descontracção, muita qualidade de vida.
A Michele e o Andrew chegaram da festa à 1h - o que aqui é horrorosamente tarde - e como me recusei a receber dinheiro, ofereceram-me uma bela garrafa de vinho :-) Eu teria ficado satisfeita com uns copos numa outra oportunidade, mas não disse que não, claro!









segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Christmas Carols em Kirstenbosch


E mais uma vez, rumei a Kirstenbosch, desta vez para (mais) um piquenique e para assistir aos Christmas Carols. Às 11h, já o termómetro marcava 30 ºC; o dia prometia.
O parque encheu-se para assistir ao espectáculo, que só começou às 20h. Antes, 4 jeitosonas em vestidos minúsculos e justos tocaram flauta e violino… O grupo de brasileiros com quem estava entrou em êxtase, não com a excelência da música mas com a indumentária das moças. E, discretos como são, toca de assobiar e atirar bocas. Quem me conhece, pode imaginar as minhas trombas – e pode calcular a minha vontade de mandar o espírito natalício às urtigas só para exigir silêncio. Tive de respirar fundo porque estava com os meus colegas brasileiros, Polyanna e Guillaume, bem mais discretos. Este último, francês por parte do pai e tendo trabalhado em França, Espanha e Portugal, tem noção da imagem que alguns brasileiros passam e piscou-me o olho, percebendo tudo. E não era só eu com o meu mau feitio, à volta todos lançavam olhares de reprovação... Como não percebiam a língua, devem ter achado que era uma tribo de algum lugar recôndito, com rituais bizarro. Acabaram por acalmar, mas nunca deixaram de gritar pelo Corinthians… Confesso que a isto achei piada porque se fosse o SLB, o Glorioso, eu teria feito algo parecido!

Conheci também um casal, descendentes de portugueses. Conversa puxa conversa, perguntam-me de onde sou. Respondi «Lisboa», como sempre, mas quiseram saber com mais detalhe. Lá disse que tinha nascido em Torres Vedras mas que crescera em Sobral de Monte Agraço. Qual não é a minha surpresa quando me dizem que têm família em Matacães (ela) e na Caixaria (ele)... que até gostam de Torres mas que as outras duas terrinhas são muito mortas... Ahah, Oeste rules!!!!!!!

O espectáculo consistia em recriar a noite de Natal, com o nascimento de Jesus, os Reis Magos, etc., tudo encenado por crianças e adultos, com leituras e música. Foram 20 músicas tradicionais, que pudemos acompanhar através dum pequeno livro, tendo culminado com o Silent Night. Já era noite há muito e todos foram convidados a levantar a «luz» que lhes tinha sido oferecida à entrada e acompanhar a música. [Tenho vídeos deste momento mas o computador não está a colaborar, sorry!]
 




 
O Reverendo presente ainda proferiu um discurso muito bonito, que me fez ter saudades de casa e do calor do nosso Natal frio de Portugal... Ai, ai, coração apertadinho...

O primeiro fim-de-semana - parte II


No domingo, já devidamente munida de protector solar, rumei à zona costeira da cidade. Depois de passear junto a Green Point e Sea Point, parei na Victoria & Alfred Waterfront, área de docas e marina, que foi recuperada no final dos anos 80 e, em particular, nos anos 90, com o fim do Apartheid.
Tem muitas lojas e restaurantes, com vista para a montanha ou para o Atlântico – é à vontade do freguês – e um bonito centro comercial com as ditas lojas «normais», como a Mango, a Levi’s, a Pandora ou a Nespresso, mas outras um pouquinho mais acima do nível do comum mortal como a Emporio Armani, Gucci, Gerard Darel, Dior, MontBlanc ou uma enorme L. Vuitton. Curiosamente, nesta zona de lojas também se encontra a portuguesíssima Ana Sousa. Aqui, a Zara não é alta-costura mas é menos comum e aparenta um ar um pouquinho mais refinado do que em Portugal [já em Nova Iorque tinha sentido isto, mas posso estar enganada].
O complexo alberga ainda o Aquário e um pavilhão de artesanato típico, bem giro.

Local muito concorrido, apresentava-se ainda mais cheio do que o habitual devido a um evento da Red Bull. Deixei-me ficar e ainda me diverti bastante.

A regressar brevemente, para passear o meu rico lombo pelas bonitas esplanadas ;-)












 

PS – Eu sei que a referência a estas marcas obriga a determinadas regras, ou não fosse eu da área editorial, mas não me apeteceu. Contentem-se com a publicidade gratuita!

sábado, 15 de dezembro de 2012

Maybe it was meant to be.

Ontem trabalhei no meu quartinho até perto das 3h da madrugada.
Já a entrar na rotina de acordar com a luz do dia que nasce, despertei às 6h e pouco. Lá me arrastei para um pequeno-almoço reforçado às 8h30: sumo, fruta com iogurte natural, ovos mexidos, torradas e café. Tive direito a tudo.

Comecei a manhã a abrir uma conta para finalmente poder receber o meu ordenado (aqui, na ausência do subsídio de Natal, recebe-se o ordenado de Dezembro 2 semanas mais cedo) e tratei das primeiras compras para o piquenique de amanhã. E segui para uma visita menos turística de Cape Town.

Chegada a hora de começar a procurar casa, andei às voltas pela cidade, para ter uma ideia geral dos bairros, das áreas, etc. Tal como em Portugal, tudo aquilo que é bonito e em frente à praia, custa um balúrdio! Derrotada pelo calor e pelas poucas horas de sono, regressei a casa a meio da tarde, a «chorar» por uma sesta.

Fechei os olhos durante uns minutos apenas porque uma criança na piscina fez barulho suficiente para acordar meio bairro, damn it! Virei-me então para o computador e fiz umas chamadas para marcar visitas a apartamentos, etc. Ainda ouvi um elogio, quando me perguntaram do outro lado se eu era inglesa... Os sotaques aqui são tão variados e tão retorcidos que uma simples tuga passa por british...

Com mais um churrasco prestes a começar aqui no jardim, lá fui eu, cansada, com os olhos vermelhos do cansaço... Mas acho que foi o destino, para quem acredita nessas coisas.

Após aquela conversa habitual de ser de Portugal, bla bla, o que vim fazer, bla bla, perguntam-me se já tinha data para me mudar. E é então que uma das moças diz que tem uma pequena cottage, completamente equipada e mobilada, com estacionamento, entrada independente e alarme, para arrendar. Ela, o marido e as filhas mudaram-se para uma big vivenda que tem um anexo, tendo posto anúncio online para esse mesmo anexo há 1 dia. Eu esboço um sorriso amarelo porque as casas aqui no bairro de Pinelands custam balúrdios: é uma zona semelhante ao Restelo - ou Carrasqueira, para quem conhece Sesimbra - no que diz respeito a grandes vivendas com piscina e ruas muito arborizadas. E todas estas maravilhosas vivendas têm mais do que um anexo...

Mas quando ela me diz o preço... meus amores, pensei que estava a ouvir mal. Bem abaixo do que é praticado aqui!!! Fui buscar o computador, ela mostrou-mo e disse-me: «Podes lá ir ver nos próximos dias mas eu já nem vou olhar para as respostas. É teu, só precisas de me dizer quando queres mudar.»

E onde em Pinelands, perguntam vocês, como se conhecessem alguma coisa disto... Ora bem, a 30 metros do escritório. Ou seja, posso ir a pé para o trabalho!!! E quando a coisa parecia mais ou menos garantida, disse-lhes que, quando quisessem sair à noite, eu podia fazer babysitting. Ficaram maravilhados, imagine-se.

Éramos 3 casais (ingleses e sul-africanos) com as crianças e eu, o jantar durou horas e foi bem divertido... Ficou de se fazer um novo braai brevemente, para o qual me convidaram. Aqui a menina causou tão boa impressão que o outro casal com filhos me pediu o número de telemóvel porque estavam interessados nos meus serviços de babysitting............ :-) Sabendo que, aqui, as crianças se deitam às 19h - sim, às 19h - este serviço é simplesmente ficar em casa a ver TV.

Tudo isto aconteceu há momentos mas saber que, em princípio e já nestes primeiros tempos, não vou ter de passar por todo aquele processo de ver casas, preencher candidaturas, apresentar provas de como estou legal no país, etc etc, deixa-me mais do que feliz.

Depois da tempestade vem a bonança, ou não estivesse eu aqui tão perto do Cabo da Boa Esperança.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Work mode

«Ah, e tal, não tens publicado mais fotos no blogue, bla bla...»

NEWSFLASH! Eu vim para trabalhar!
 
Sei que não tenho passado essa ideia mas a verdade é que vim para trabalhar. E o dia de trabalho começa bem cedo aqui, embora eu, estando numa multinacional e num departamento virado para os mercados de Angola e Moçambique, me possa dar ao luxo (ou não) de ter um horário mais europeu.
 
O sol nasce às 5h e pouco e como estores é uma coisa que não se usa muito por aqui, a pessoa abre logo a pestana... A essa hora há já muita gente a sair para os seus empregos, já há trânsito. E assim é até às 8h.
Naturalmente, quem começa tão cedo também termina cedo. A partir das 15h, as pessoas largam os seus locais de trabalham e rumam a casa ou fazem outras tarefas: ginásios, compras, praia, passeios, lida da casa, etc. A maioria do comércio local fecha entre as 17h e as 18h, pelo menos onde estou. Supermercados maiores como o Pick 'n Pay ou Woolworths fecham às 19h; centros comerciais funcionam até às 20h (mas ainda não explorei muito esta modalidade).
A ideia é que as pessoas aproveitem as horas de sol e tenham vida!
Claro que a hora de jantar também acontece mais cedo. As próprias séries da noite, como o Dexter ou Perception, também passam mais cedo. E o deitar, ui... com as galinhas.
 
Como disse antes, tenho um horário mais «normal»: entrada às 8h30 e saída às 17h. A maior parte das pessoas chega entre as 7h30 e as 8h, mas às 17h não se vê vivalma naquele edifício... O elevador bloqueia às 17h, a recepção fecha e o ar condicionado também pára. É impressionante! O meu próprio access tag está programado para o horário 7h30-18h, e de segunda a sexta-feira, apenas.
E, por incrível que pareça, às 21h e pouco já estou cheia de sono :-)
 
Por isso, e como cheguei em pleno pico de finalização de títulos para Moçambique, o Ruben e eu trabalhamos de manhã à noite (que aqui são muitas horas). Vou a meio da segunda semana e já trouxe trabalho para casa algumas vezes... Também seremos 2 das 7/8 pessoas que vão estar a trabalhar no Natal.
 
Tudo isto para explicar, meus amores, que há muitos piqueniques, braais, com comida e bebida, mas também se trabalha. De uma forma muuuuuiiiiiiiiiiiiiiiito descontraída, mas trabalha-se!
 
 


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Things that money can't buy

«Falar» com a Ema no skype e vê-la a fazer festas no ecrã do computador ou a bater palmas enquanto eu cantava If you're happy and you know it, clap your hands...

domingo, 9 de dezembro de 2012

Coisas do Demo


Hoje tomei o pequeno-almoço na casa principal; não foi preciso insistir muito perante a oferta de ovos mexidos, cogumelos, muffins, sumo natural... :-)
Entrei eu na sala pelas 8h, que já é tardíssimo aqui para o pequeno-almoço, e deparo-me com 4 hóspedes a terminar a sua refeição. Dois casais da Califórnia, eles de camisa branca e gravata preta, elas com blusas abotoadas até ao pescoço e penteados à anos 80... Eu, de cabelo molhado, ar de turista, t-shirt e saia...
Bla bla, uma delas diz-me que um irmão (e aponta para uma placa presa ao peito) esteve em Portugal e gostou muito. Bla bla, comentam a minha t-shirt do Hard Rock, eu digo que conheço uns quantos e sirvo-me de café. Nisto, levantam-se os quatro e despedem-se, saindo.
Quando o Mick aparece com os meus ovos, conto-lhe o sucedido e ele quase rebenta de riso: são 2 casais mórmon que, entre várias questões relacionadas com a castidade e com o facto de as mulheres terem de andar tapadas e mostrarem-se servis, acreditam que quem bebe café e bebidas alcoólicas tem o Diabo no corpo.
Ouviram? Tenho o Demo no corpo porque bebo café!

O primeiro fim-de-semana - Parte I


E chegámos ao primeiro fim-de-semana… Que fazer? Onde ir?
Achei que, sendo fim-de-semana, não haveria muito trânsito e poderia aventurar-me de carro pela cidade. Cheguei lá surpreendentemente bem, devo dizer.

Sem mapas, sem GPS, deixei-me ir e pratiquei a condução pelas principais ruas, fui até a Victoria & Albert Waterfront e fiz um pequeno desvio até a uma das zonas de praia, uma espécie de avenida com km de extensão com hotéis, resorts e praias privadas. Bem que passei pelas ruas movimentadas da cidade, como a Long Street, a Adderley ou a Strand Street. Passei pelo Castle of Good Hope, pelo Green Point Stadium… mas, onde estacionar? Ruas pouco movimentadas, nem pensar; nas restantes, só via tabuletas com a indicação do tempo limite de estacionamento… Cum catano!

Achei que o melhor mesmo era ir espairecer para o Jardim Botânico: pela via das dúvidas, já conhecia o caminho! E lá fui eu para os Kirstenbosch National Botanical Gardens.
Deve ser dos locais mais bonitos do mundo, mesmo sabendo que a época das flores já passou (algures entre Maio e Outubro). Tudo está muito bem indicado, desde os espaços até às plantas que podemos observar nos mais de 5 km2. Há um jardim só para as plantas em extinção, outro para os cheiros, um trilho para cegos. Adorei o verde em contraste com as montanhas rochosas, a «toalha» de nuvens em contraste com o azul brilhante da cidade, as estátuas de pedra, e, principalmente, a paz que se respira quer nos imensos espaços verdes quer nos mais variados trilhos que vamos descobrindo à medida que mergulhamos no parque.

Os visitantes são convidados a descansar em diversos pontos, num de dezenas de bancos que estão espalhados; pode-se escolher um mais escondido ou outro junto das famílias e grupos que ali se deslocam para piqueniques.
Adorei este conceito de piquenicar. De facto, ao longo da manhã, dezenas de pessoas iam chegando, com mochilas e sacos cheios de comida, geladeiras, mantas, prontas a «acampar» por umas horas. As crianças andam à vontade, descalças, a correr, e o espaço é tão aberto que não me senti minimamente incomodada com o barulho; pelo contrário, as gargalhadas e outros sons felizes são tranquilizadores. E cheguei a pensar «Se o mundo acabar no dia 21 de Dezembro, como alertam os Maias, é aqui que quero estar!»

Aqui estão algumas das mais de 100 fotografias que tirei:
















E a visita não poderia terminar sem um episódio caricato, ou não seria um dia normal na vida da Vanessa: solteirona e sozinha na África do Sul, só me podia aparecer à frente um casamento, em pleno jardim.
Eu, que nem sou dada a estes romantismos, fiquei encantada com o espaço e o cenário. E, à semelhança de outros visitantes, deixei-me ficar para assistir à cerimónia.







Adorei, simplesmente. Acredito que todos os sons, gritos e rituais têm um significado, mas eu só pensava no filme O Rei Leão e na música Hakuna Matata… A mente humana tem destas coisas.

Diz que vou voltar brevemente, possivelmente com colegas, para os Christmas Carols. Como acontece ao final da tarde, já não corro o risco de apanhar outro escaldão.