Tinha bastante lixo acumulado nos caixotes e, mesmo de pajama e chinelos, fui à rua para me livrar dos mesmos. Às 21:00, as probabilidades de encontrar vizinhos é quase nula.
Mal saio do prédio, aproxima-se um jovem:
- Mãe, é lixo? Deixa-me levar.
- Não. Deixa-me.
- Mãe, deixa-me levar o teu lixo.
- Já te disse que não.
- Mas eu levo-te o lixo.
Nisto, já ele estava mesmo junto a mim e prestes a deitar a mão aos sacos.
- Não tenho moedas para te dar.
- Não faz mal, mãe, eu quero remexer no lixo para ver se aproveito alguma coisa para mim.
E eu não abri mais a boca, deixei que ele levasse os sacos.
Imagino que ele ainda vá rondar o prédio nos próximos dias, para me pedir alguma coisa pela favor, mas não é isso que me está ocupar a mente neste momento. É saber que estes são episódios (quase) quotidianos por estas paragens.
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