quinta-feira, 27 de junho de 2013

See you soon, Cape Town.


Lembro-me de, desde Dezembro, ir olhando para o calendário e pensar que ainda faltavam 5 meses, 4 meses, 3 meses, etc. Assim de repente, passaram quase 7 meses.
Além da ansiedade e excitação que caracterizam estes momentos, foram umas semanas algo stressantes no trabalho, com prazos e imprevistos ao nível das férias. Tive dias em que trabalhei desde as 7h às 19h, em que a minha pele não recebeu qualquer luz solar por via directa; tive outros em não produzi nada de jeito (por motivos que aqui não interessa abordar, a minha cabeça voou muitas vezes além das 4 paredes do escritório - e passeou muito pela Cidade do Cabo e arredores).

Depois foram os presentes… a lista parecia que ia aumentando a cada dia. A dado momento, dei por terminadas as compras: se alguém não for contemplado desta vez, não é por mal; aliás, até tem sorte, terei mais tempo para pensar na dita cuja. E pelo desenrolar dos acontecimentos, lá pelo Natal, muita gente irá receber souvenirs alusivos ao Mandela e seu legado.

As despedidas também começaram uma semana mais cedo. Colegas que foram de férias não quiseram partir sem dizer adeus; os que ficaram todos os dias me perguntavam se estava entusiasmada, ansiosa, etc. — a modos que quase os questionei se estavam assim tão satisfeitos por se verem livres de mim por 2 semanas! Ontem fui almoçar com algumas colegas, houve muitos abraços… e sinto que tenho algo a que voltar.
A despedida da Amy ficará na memória. Depois de muitos abraços e I love you, os pais lá me contaram que, na visão desta piquena de apenas 3 aninhos, eu faço parte da família dela: as suas histórias incluem sempre a Vanessa (qualquer coisa como Vais de férias com quem, Amy? Com a mãe, o pai, a Emily [irmã], a Nala, a Poppy [cadelas] e a Vanessa.), presença essa já extensível a desenhos. São estas coisas tão simples que me enchem o coração.

Os planos para as 2 semanas em Portugal são mais do que muitos e cabeça e coração estão cheios de ansiedade e alguma expectativa. Não vai dar para tudo nem para todos, mas será tudo vivido com bastante intensidade, seguramente!

Alguns avisos à navegação: se eu soltar alguma coisa em inglês, não é mania, foram 7 meses…; se eu soltar algumas asneiras em português, não é falta de educação, é mesmo saudades, ahah; se eu falhar o cumprimento à base de 1/2 beijinhos na cara, não é por mal, aqui dão-se abraços e eu já interiorizei esse hábito… Se alguém se cruzar comigo e eu for ao volante do meu carro, tenham lá calma que eu acho que vai custar conduzir à direita.
 
E, percebendo que a minha mãe gosta muito de mim mas não vem à Cidade do Cabo para me ajudar a fazer a mala, não me resta outra solução: vamos lá fazer a mala!


quarta-feira, 26 de junho de 2013

quarta-feira, 19 de junho de 2013

De vez em quando, lá vem a conversa


A contagem decrescente já começou e todos os dias se fala na minha ida a Portugal. Os comentários são, invariavelmente, os mesmos. No entanto, hoje o Steve veio com a seguinte conversa: «Faz o que te apetecer, mas não queremos receber um telefonema a contar que arranjaste um namorado em Portugal, que estás grávida e já não regressas.» Entre gargalhadas, lá lhe disse que não terei tempo para nada disso! Mas foi o mote para outra conversa recorrente: vamos arranjar-te um namorado na África do Sul, para te obrigar a ficar…
Verdade, verdadinha: se numa semana tanto pode acontecer, o que dizer de 5 anos?

sábado, 15 de junho de 2013

10 de Junho



 
O 10 de Junho foi comemorado pela comunidade portuguesa no sábado, dia 8, com um jantar e espectáculo na Associação Portuguesa, na periferia da Cidade do Cabo. Fui a convite da Anabela e do John, que conheci através de amigos comuns em Portugal.
Quando lá cheguei, confesso, fiquei algo abalada… cartazes do Rui Bandeira, ele a ensaiar no palco. OMG.
Acabou por ser uma boa noite de convívio com os restantes portugueses da mesa; foi uma excelente oportunidade para conhecer mais expat e desenferrujar a língua!
Depois do jantar, tivemos discurso por parte do cônsul – curto, conciso, com referências a Fernando Pessoa – e, claro, uma performance daquele que foi apresentado como Artista, o Rui Bandeira. As canções pareceram-me todas iguais, mas ainda fui gozada por saber a letra (o refrão, pelo menos) da música que ele levou à Eurovisão: foi em 1999, parece, mas a coisa estava bem presente… Dá-me a tua mãe, não mintas mais, etc etc (andei a trautear aquilo durante dias).
Aqui ficam algumas fotos. Apesar de ter sido num sábado, tinha estado a trabalhar desde as 7:30, só para que compreendam o meu ar cansado. O facto de não me ter levantado uma única vez para dançar foi mesmo opção minha, ahah!
 
 

 
Com a Anabela e o John, amigos da Mila Fadista!
 


 
O cônsul - que homem bem-disposto!
 

 
O Artista, com a primeira fatiota... e com ténis a condizer.
 

 
O Artista, com a segunda fatiota. Os ténis também foram trocados, para fazer pandam com o casaquinho.
 

 
Sim, eu estava mesmo pertinho do palco...
 
 
Há mais fotos, sim, mas ficam para quando eu chegar a Portugal, ok? Uma, em particular, iria provocar algum entusiasmo entre as amiguinhas... (sim, sou eu com o Rui Bandeira!)
 
 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Aquele momento...

Em que sabes que já estás na África do Sul há tempo q.b....:

  • Estás num braai (barbecue/churrasco em Afrikaans) e há crianças de idades variadas (entre 9 meses e 10 anos) agarradas ao teu rabo e não queres saber;
  • Já nem sabes o que é dar 2 beijinhos e dás abraços a pessoas que acabas de conhecer:
  • Bebes 3 cervejas e 1 garrafa de tinto antes de jantar e percebes que (AINDA) estás sóbria;
  • Bebes 3 cervejas e 1 garrafa de tinto antes de jantar e não tens problema  que os teus pais vejam isto.

domingo, 9 de junho de 2013

Cérebro em estado líquido


 
M. – Dá-me o teu número de telemóvel.
V. – 081…

M. – Qual é a rede?

V. – …….
M. – Sim… Vanessa, nem sequer sabes qual é a rede com que operas?

V. – Claro, desculpa, é a Vodacom.
M. – E o resto do número?

V. – ……..
M. – (Gargalhadas) Agora não sabes qual o número.

V. – Sei, M., dá-me tempo. É XXXXXXX. Pronto, toca aí.
M. – Toca aí? (Gargalhadas, muitas gargalhadas) É assim que dizem em Sobral de Monte Agraço?

V. – Tu percebeste.
(Gargalhadas, muitas gargalhadas)

V. – Dá-me um toque. Só para confirmar que te dei bem o número.
M. – Já está. Agora vê lá se sabes com que nome vais gravar.

 

Eu sei que tinha acabado de assistir a um espectáculo do Rui Bandeira, mas estava tão cansada…

E já repararam como, em plena Cidade do Cabo, se fazem piadas com o Sobral?

 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Estado em que se encontra esta cabeça (ou o que resta dela)


Ando a ver demasiada televisão…
Recebo um pedido de «amizade» via LinkedIn. O nome é claramente árabe. Observo a fotografia: nunca o vi mais gordo. Contactos em comum: zero. Começo a estranhar e a fazer filmes na cabeça. Ponho-me a explorar o perfil da pessoa: nome árabe, fala chinês e trabalha em Singapura, na área da informática. Só pode ser terrorista e está a tentar estabelecer contactos em África, para futuras acções terroristas. Juro que foi isto que pensei. Abandono, aos poucos, o registo bipolar/paranóico, e racionalizo a situação: ver a temporada 2 de Homeland (Segurança Nacional) num dia pode não ter sido uma coisa muito inteligente. Está na hora de começar a separar a vida real da ficção.

 
Hipocondria ou amnésia. Ou nenhuma das duas.
Meio da tarde de quarta-feira. Apesar de ser inverno, está um calor pavoroso na sala de trabalho. Recebo a notícia do visto e sinto uma pontada na barriga. OK, são nervos. A dor agudiza-se. Tiro uma barrita da gaveta, abro o invólucro e dou uma dentada; esqueço-me do resto. A dor continua e eu decido googlar… dores abdominais no lado direito, vesícula, pâncreas, fígado. Raios, mas o vinho sabe bem! Pesquiso causas, possíveis diagnósticos, possíveis curas. Afigura-se-me o fim do mundo. São quase 19h e vou para casa. Ligo o portátil e continuo a pesquisar. As dores persistem e tenho de me deitar no sofá. Vejo as horas e concluo que o melhor é comer qualquer coisa. A sopa sabe bem e como com vontade. Olho para o prato e tento recordar-me do que foi o meu almoço. Hmmm, e o que foi o lanche? Resumo: caneca de café com leite e torrada às 7h, 1 iogurte magro e metade de uma sande nem sei a que horas, uma dentada numa barrita a meio da tarde, praí um litro de café durante o dia. O teu mal é fome, Vanessa, foi uma sorte não teres desmaiado!
Em 33 anos, acho que foi a primeira vez que me esqueci de comer.

 
A gota de água
Nota prévia: apesar de morar ao pé do escritório, tenho levado o carro para não ter de fazer a caminhada até casa às escuras e sob chuva torrencial (anoitece antes das 18h e eu tenho ficado até beeeeem tarde).
Saio do escritório, já noite, e inspiro ar puro. Começo a pensar nas férias e na Ema enquanto vou para casa. E em bolas de Berlim e pimentos (eu sou estranha, eu sei). Chego a casa e apercebo-me de que vim a pé e me esqueci do carro no escritório. Largo a mala e o computador na cama e dou uma corridinha até ao carro. Chegada ao pé do carro, percebo que deixei a chave na mala… que ficou em casa. Dou nova corrida até casa e decido que posso arriscar deixar o carro por uma noite.


E as calinadas no trabalho têm sido mais do que muitas, sinto vergonha só de pensar nisso.

É muito cansaço, mas vai valer a pena ir 2 semanas a Portugal, sem trabalho.