Lembro-me de, desde Dezembro, ir olhando para o calendário e
pensar que ainda faltavam 5 meses, 4 meses, 3 meses, etc. Assim de repente,
passaram quase 7 meses.
Além da ansiedade e excitação que caracterizam estes
momentos, foram umas semanas algo stressantes no trabalho, com prazos e
imprevistos ao nível das férias. Tive dias em que trabalhei desde as 7h às 19h,
em que a minha pele não recebeu qualquer luz solar por via directa; tive outros
em não produzi nada de jeito (por motivos que aqui não interessa abordar, a
minha cabeça voou muitas vezes além das 4 paredes do escritório - e passeou muito pela Cidade do Cabo e arredores).Depois foram os presentes… a lista parecia que ia aumentando a cada dia. A dado momento, dei por terminadas as compras: se alguém não for contemplado desta vez, não é por mal; aliás, até tem sorte, terei mais tempo para pensar na dita cuja. E pelo desenrolar dos acontecimentos, lá pelo Natal, muita gente irá receber souvenirs alusivos ao Mandela e seu legado.
As despedidas também começaram uma semana mais cedo. Colegas que foram de férias não quiseram partir sem dizer adeus; os que ficaram todos os dias me perguntavam se estava entusiasmada, ansiosa, etc. — a modos que quase os questionei se estavam assim tão satisfeitos por se verem livres de mim por 2 semanas! Ontem fui almoçar com algumas colegas, houve muitos abraços… e sinto que tenho algo a que voltar.
A despedida da Amy ficará na memória. Depois de muitos abraços e I love you, os pais lá me contaram que, na visão desta piquena de apenas 3 aninhos, eu faço parte da família dela: as suas histórias incluem sempre a Vanessa (qualquer coisa como Vais de férias com quem, Amy? Com a mãe, o pai, a Emily [irmã], a Nala, a Poppy [cadelas] e a Vanessa.), presença essa já extensível a desenhos. São estas coisas tão simples que me enchem o coração.
Os planos para as 2 semanas em Portugal são mais do que muitos e cabeça e coração estão cheios de ansiedade e alguma expectativa. Não vai dar para tudo nem para todos, mas será tudo vivido com bastante intensidade, seguramente!
Alguns avisos à navegação: se eu soltar alguma coisa em inglês, não é mania, foram 7 meses…; se eu soltar algumas asneiras em português, não é falta de educação, é mesmo saudades, ahah; se eu falhar o cumprimento à base de 1/2 beijinhos na cara, não é por mal, aqui dão-se abraços e eu já interiorizei esse hábito… Se alguém se cruzar comigo e eu for ao volante do meu carro, tenham lá calma que eu acho que vai custar conduzir à direita.
E, percebendo que a minha mãe gosta muito de mim mas não vem à Cidade do Cabo para me ajudar a fazer a mala, não me resta outra solução: vamos lá fazer a mala!