O dia foi tão bom que o meu jantar consistiu em dois copos de vinho tinto e duas barritas de cereais com chocolate.
O cansaço tomou conta de mim de uma uma forma que me levou às lágrimas.
E não, não há aqui motivos para alarmes. É sinal de que o trabalho ainda mexe comigo, algo de que nem todos se podem gabar.
terça-feira, 21 de outubro de 2014
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Never a dull moment in Mozambique #1
Passa das 18:00 e sento-me no sofá, a pensar no dia de amanhã, principalmente na reunião das 9:00. E penso que, apesar de tudo, não foi um dia assim tão mau e que o melhor é guardar «aquele» copo de vinho para outra ocasião. [Para mim, o vinho bebe-se em ocasiões festivas mas também como antídoto para momentos maus, em que só queres sentir menos o peso das preocupações.]
E pouco depois das 19:00, quase a rumar ao duche quentinho que antecede o pijama aconchegante e a sessão de emails nocturna, o telefone toca. E percebo que não devolvi a chamada à pessoa que me esteve a ligar desde as 7:58.
Atendo, porque a pessoa não tem culpa do meu dia ou do meu esquecimento. E aguento estoicamente. O cliente não tem sempre razão mas a voz do outro lado só trazia verdades quase absolutas.
E após o telefonema, percebo que não se deve cantar vitória antes de se ir para a cama. E o vinho que restava na garrafa é deitado no copo.
E pouco depois das 19:00, quase a rumar ao duche quentinho que antecede o pijama aconchegante e a sessão de emails nocturna, o telefone toca. E percebo que não devolvi a chamada à pessoa que me esteve a ligar desde as 7:58.
Atendo, porque a pessoa não tem culpa do meu dia ou do meu esquecimento. E aguento estoicamente. O cliente não tem sempre razão mas a voz do outro lado só trazia verdades quase absolutas.
E após o telefonema, percebo que não se deve cantar vitória antes de se ir para a cama. E o vinho que restava na garrafa é deitado no copo.
sábado, 18 de outubro de 2014
Não é bem uma queixa mas...
Há tanto para fazer em Maputo que, numa tarde para lá de entediante, mudei o layout do blogue e abri conta no Instagram. Por não ter nada de mais interessante para fazer.
Antes disto, lavei roupa (e estendi-a), varri e lavei o chão da casa toda.
Preciso de filmes e séries novas - séries com 9 e 10 temporadas - e livros. Qualquer coisa que me afaste de trabalho e de snacks gordurosos e calóricos.
[E já estive mais longe de comprar uma bicicleta.]
Antes disto, lavei roupa (e estendi-a), varri e lavei o chão da casa toda.
Preciso de filmes e séries novas - séries com 9 e 10 temporadas - e livros. Qualquer coisa que me afaste de trabalho e de snacks gordurosos e calóricos.
[E já estive mais longe de comprar uma bicicleta.]
Eleições em Moçambique - Vir'ó disco e toc'ó mesmo
Se a manhã começou calma, o resto do dia trouxe aquilo que é a normalidade num processo eleitoral em território africano e, neste caso em particular, em Moçambique.
Os tumultos aconteceram principalmente no Norte, com lançamento de pedras, tiros e gás lacrimógenio lançado pela polícia. Algumas mesas de votos abriram tarde; outras encerraram já depois da hora. Descobriram-se urnas já com votos dentro - e, curiosamente, todos os boletins com a devida cruz no candidato da Frelimo. Enfim, o normal num país africano que vive em democracia (leia-se isto com muuuuuita ironia).
Os resultados oficiais ainda não estão disponíveis mas a vitória da Frelimo é clara, tanto nas presidenciais como nas legislativas. A Renamo, claro, já emitiu um comunicado a contestar os resultados e o próprio acto eleitoral mas, atenção, não irá reagir com recurso à violência. Veremos.
Uma palavra que se ouviu bastante durante a campanha eleitoral - e por parte de todas as candidaturas - foi «mudança». Mas só mudará o nome de quem assina como Presidente. Pouco mais.
Os tumultos aconteceram principalmente no Norte, com lançamento de pedras, tiros e gás lacrimógenio lançado pela polícia. Algumas mesas de votos abriram tarde; outras encerraram já depois da hora. Descobriram-se urnas já com votos dentro - e, curiosamente, todos os boletins com a devida cruz no candidato da Frelimo. Enfim, o normal num país africano que vive em democracia (leia-se isto com muuuuuita ironia).
Os resultados oficiais ainda não estão disponíveis mas a vitória da Frelimo é clara, tanto nas presidenciais como nas legislativas. A Renamo, claro, já emitiu um comunicado a contestar os resultados e o próprio acto eleitoral mas, atenção, não irá reagir com recurso à violência. Veremos.
Uma palavra que se ouviu bastante durante a campanha eleitoral - e por parte de todas as candidaturas - foi «mudança». Mas só mudará o nome de quem assina como Presidente. Pouco mais.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Eleições Gerais em Moçambique - as 3 primeiras horas
Há semanas que não se fala de outra coisa: eleições em Outubro. Que o país pára, que é uma semana de festividades, etc etc.
A verdade é que, quando cheguei a Maputo há apenas uma semana, era visível o reforço da campanha por parte da Frelimo: mais cartazes; bandeiras; automóveis com autocolantes, cartazes e mais bandeiras; pessoas com bonés, t-shirts e capulanas alusivas ao partido e ao seu candidato. Mas, e os outros partidos?
No resto do país, não sei. Mas em Maputo vê-se alguma coisa do MDM (alguns cartazes e, esporadicamente, viaturas com autocolantes e bandeiras) e nada da Frelimo.
Sem querer fazer reflexõess políticas, isto diz muito da democracia em Moçambique.
O dia acordou com muito silêncio. Apesar de as urnas terem aberto às 7:00, não vi grande agitação na rua até às 9:00.
Na televisão, emitiram em directo os principais candidatos - e o actual Presidente - no momento de voto. Com tanta gente «importante» na rua, justificam-se as sirenes.
[Quando o Presidente se desloca na cidade, para além da normal comitiva de viaturas pretas (Mercedes e afins), seguem 1001 motas de policia, uma ambulância e um carro de bombeiros. Welcome to Africa.]
Quando o café em frente a casa finalmente abriu, lá segui para a minha dose de cafeína matinal. Na esplanada, falava-se de eleições e um português na mesa do lado dizia «As pessoas com quem falo falam em mudança. E diz-se que 1 em cada 10 vai votar MDM. Mas lá para o Norte será mais complicado.»
Sim, todos querem mudança, mas não tenho a menor dúvida de que o partido vencedor será a Frelimo. Mudança? Só muda o nome de quem assina; o resto será igual. Mas logo veremos.
A verdade é que, quando cheguei a Maputo há apenas uma semana, era visível o reforço da campanha por parte da Frelimo: mais cartazes; bandeiras; automóveis com autocolantes, cartazes e mais bandeiras; pessoas com bonés, t-shirts e capulanas alusivas ao partido e ao seu candidato. Mas, e os outros partidos?
No resto do país, não sei. Mas em Maputo vê-se alguma coisa do MDM (alguns cartazes e, esporadicamente, viaturas com autocolantes e bandeiras) e nada da Frelimo.
Sem querer fazer reflexõess políticas, isto diz muito da democracia em Moçambique.
O dia acordou com muito silêncio. Apesar de as urnas terem aberto às 7:00, não vi grande agitação na rua até às 9:00.
Na televisão, emitiram em directo os principais candidatos - e o actual Presidente - no momento de voto. Com tanta gente «importante» na rua, justificam-se as sirenes.
[Quando o Presidente se desloca na cidade, para além da normal comitiva de viaturas pretas (Mercedes e afins), seguem 1001 motas de policia, uma ambulância e um carro de bombeiros. Welcome to Africa.]
Quando o café em frente a casa finalmente abriu, lá segui para a minha dose de cafeína matinal. Na esplanada, falava-se de eleições e um português na mesa do lado dizia «As pessoas com quem falo falam em mudança. E diz-se que 1 em cada 10 vai votar MDM. Mas lá para o Norte será mais complicado.»
Sim, todos querem mudança, mas não tenho a menor dúvida de que o partido vencedor será a Frelimo. Mudança? Só muda o nome de quem assina; o resto será igual. Mas logo veremos.
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