quinta-feira, 22 de maio de 2014

Momento estranho do dia



O meu antigo manager vir ao meu encontro, expôr-me uma situação, e terminar com... Devo enviar este pedido a ti, para autorizares?

Não, isto é tudo muito estranho. Ainda.


sexta-feira, 2 de maio de 2014

KDay Festival


Pois que há uns tempos recebi um email da minha rica mãe a pedir para escrever e contar novidades. Não sei se ela se referia ao blogue ou ao simples acto de responder ao email, mas vamos pela primeira hipótese porque é um 2 em 1.

Já estou nas novas funções, em modo oficial, desde o dia 1 de Abril, mas continuo pela Cidade do Cabo, sem data prevista para me mudar para Maputo. Confesso que esta incerteza, tão própria de África, me deixa algo inconformada por não me permitir planear atempadamente a mudança. Tenho de vender o carro, empacotar as minhas coisas, deixar o apartamento – e para isto, preciso de datas; o escritório também tem de ficar mais ou menos vazio; e, claro, as festas de despedida! Não só tenho de me preocupar com as minhas «coisas» como também sinto a pressão dos que me rodeiam, que esta gente gosta é de festa, comida e bebida (e as minhas roupitas provam isto mesmo). Vida dura!

Enquanto este impasse burocrático não se resolve, vou (sobre)vivendo, claro. Posso não relatar todos os pormenores no blogue e/ou no Facebook, mas tenho preferido viver a vida ao vivo e a cores...

Depois de mais uma semana INTENSA em Maputo, dormi 5 horas e rumei a um festival de música – Kday – patrocinado por uma estação de rádio. Pelo cartaz e pela localização, pensei que seria coisa parecida com o Sudoeste (mas apenas 1 dia) mas, para minha grande surpresa, havia famílias inteiras a piquenicar no recinto. Sim, a piquenicar: com cadeiras, mantas, chapéus de sol, marmitas, tudo num ambiente muito familiar e descontraído. Apesar do calor, a Lauren e eu tomámos a decisão certa de deixar o chapéu (de praia) no carro e levámos apenas uma pequena manta para nos sentarmos. De facto, durante o dia, andámos sempre entre o bar (que tinha esplanada) e os «acampamentos» de pessoas conhecidas que íamos encontrando... e não conhecidas também, que por sermos apenas 2 facilmente nos infiltrávamos em qualquer lado. A beber baldes de cerveja de meio litro desde as 11h e pouco, não demorou muito para a Lauren me começar a apresentar a todos como «my Portuguese friend». É o que ela faz sempre e eu adoro, farto-me de rir! Acho que se tornou numa boa estratégia para conhecer gente em bares, haha!

Conhecemos 2 «velhas malucas» (50-60 anos) que pediram para se sentar em metade da nossa mesa e com quem nos divertimos muito, muito mesmo. A certa altura, elas repararam num jovem que se passeava entre as mesas, em tronco nu, exibindo uma série de tatuagens. Uma das senhoras comentou que ele devia ser cabeça oca e nem sequer saber que significado tinha cada uma das tatuagens. Tanto insistiu nisto, que a Lauren chamou o rapaz. Calada que nem um rato, lá ouvi o rapaz explicar cada uma das obras de arte que lhe cobria o tronco – e as nossas amigas lá tiveram de engolir o sapo. Quando lhe perguntaram qual a ocupação, ele disse:

- Sou engenheiro de software... mas a Vanessa parece-me mais uma rapariga de hardware.

E com isto olhou para mim e riu. Eu, que mal abrira a boca até então, corei EM GRANDE e permaneci calada até ele ir embora.

Adorei a música, adorei o ambiente. A oferta ao nível da comida era imensa, os preços acessíveis, WC bastante razoáveis e sempre limpos. Sem dúvida que voltarei, se ainda por cá estiver.
 

Deviam ser umas 2 da tarde...






 
As nossas amigas...




 
Não me lembro do nome do jovem. Era suposto ser uma selfie mas a Lauren falhou um pouco :)

 
Eu e a Lauren.

 
Mi Casa

 
Mi Casa - este é o João.

 

A caminho de casa, parámos numa estação de serviço para comer um hambúrguer, que eu nem acabei tal o cansaço, e enquanto esperávamos pela comida, ela diz:

- Olha, parece o J’ Something dos Mi Casa.

[Pequena nota informativa: J’ Something é o nome artístico do João, um português que cresceu em Joanesburgo e é vocalista dos Mi Casa, o grupo do momento na África do Sul, autores do mega-hit Jikka, e que tinham estado a actuar no festival.]

Eu olho para trás e digo, meio a dormir:

- Não parece, é mesmo ele.

- OMG, Vanessa, é mesmo ele!

- Se eu tivesse menos 20 anos e estivesse menos cansada e mais bêbeda, já ali estava a chateá-lo, a dizer que também sou tuga, bla bla.

- Vai lá, Vanessa! OMG, a Zoe e a Robyn vão ficar cheias de inveja!

- Não sei, é um bocadinho foleiro fazer estas coisas com esta idade.

- Não sejas assim, vai lá.

E eu fui. Falei num misto de português e inglês e o rapaz «cagou» para mim. Eu sei que ele estava cansado e com fome (também eu!) e, muito provavelmente, com pouca vontade de aturar gente (também eu!)... mas podia ter sido um pouquinho mais simpático. A Lauren, que assistiu de longe, diz que ficou a odiá-lo e que eu não podia arranjar desculpas para a atitude dele. Eu estava mesmo cansada e tentei desculpá-lo ao máximo.

Fui a dormir até casa da Lauren e a conduzir a 30 km/h e de janela aberta até à minha casa, para que o frio da noite me mantivesse acordada. Sabe Deus o quão exausta eu estava depois da semana em Maputo.

 

A «Chuva» da Mariza em Cape Town

Aumentar o volume e prestar atenção à música de fundo. No café Vida & Caffe, em Gardens, no dia 19 de Abril.






Lá atrás, podem ver muita coisa escrita em português, também. Já me aconteceu não reparar no café gelado e perguntar se não tinham iced coffee. Isto é que a minha cabeça está boa!

Desabafo


Ultimamente, o trabalho é o meu refúgio. Não tenho mais nada de interessante para fazer? Sim, claro. No intervalo das viagens e nestes inúmeros feriados com que a África do Sul nos tem presenteado tenho aproveitado para ler e dormir. Mas se a minha cabeça não estiver 100% ocupada com algo verdadeiramente absorvente, o meu pensamento vai para coisas bem mais tristes e mergulho numa angústia e numa melancolia tão profunda que me tem deixado em lágrimas no escritório, no café, no aeroporto.

Isto é um problema meu, como é óbvio, o de não conseguir lidar com certas emoções. Mas eu não consigo entender, por muito que me esforce, o que leva certas pessoas a tomar determinadas atitudes. Ou numa pessoa em particular, a não tomar qualquer atitude. Não há pior do que a indiferença. Porque o amor e o ódio aproximam as pessoas; a indiferença é que as afasta.
 
 

Vou ter saudades disto #1


Vou ter saudades do café onde já nem preciso de dizer que o meu café é black, no sugar, no milk. Black like you. E onde o telemóvel e o portátil reconhecem logo wi-fi.