segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Primeiras impressões de Luanda e algumas (e quase únicas) fotos


Pré-aviso: este é um relato breve da minha experiência. Haverá com toda a certeza 1 675 498 pessoas com opinião diferente, mas foram estas as minhas impressões do pouco que vi de Luanda.

Depois de ter estado em Maputo em Março — e apesar de já muito ter lido e ouvido sobre Luanda, porque todos temos amigos e/ou conhecidos que lá estão/estiveram em trabalho — achei melhor manter as minhas expectativas muuuiiiiito por baixo. Foi o melhor que fiz: nada me chocou, em particular, e até fiquei surpreendida, pela positiva, com algumas coisas que vi.

Como pedi para ir à janela, pude apreciar a chegada à cidade que consiste, essencialmente, em sobrevoar quilómetros e quilómetros de barracas. Não estou a exagerar… são quilómetros e quilómetros de «barraquedo».

Depois de uma muito demorada passagem pelos serviços de imigração, a primeira sensação à saída do aeroporto é a de estufa. Céu nublado, calor, ar pesado, aquela sensação de sufoco própria de África. E para quem chega vinda de Cape Town, com a sua aragem fresquinha, ui!

A partir deste momento até à hora do regresso foi puro trabalho e muitas horas sentada no carro, parada no trânsito. O motorista andou connosco de manhã à noite e mal nos deixou andar a pé. Se em Maputo não tive muitas oportunidades para tirar fotografias, em Luanda só pude registar lugares e vistas a partir do banco de trás do carro…

O trânsito é, de facto, caótico. Os poucos semáforos que funcionam nem sempre são respeitados. As estradas são alcatroadas mas não há grande necessidade de traços no pavimento porque o que impera é a lei da selva ou coisa parecida: se há 4 faixas em cada sentido mas até dá para 6 carros, porque não dar um jeitinho para caberem todos? O «pisca» também não é para todos. Às tantas, parecia que estava numa mega pista de carrinhos de choque mas sem a parte dos choques. Por várias vezes, e mesmo no banco de trás, fechei os olhos e encolhi-me toda porque pensava que íamos bater em alguém ou que algum jipão se ia «enfiar» no nosso carro. Apesar disso, acho que não é difícil a orientação na cidade: no segundo dia, o motorista perguntou se eu já lá tinha estado porque já sabia para que lado ficava o hotel, qual o caminho exacto para a Feira, etc. O Guillaume apelidou-me logo de GPS!

Por duas ocasiões, o motorista conseguiu «cortar caminho»: enfiou por uns guetos e, mesmo a conduzir a 30 km/h, pelo meio de barracas e buracos, lá nos fez chegar mais depressa ao destino.

Segundo o motorista, o trânsito também se acumula nas principais vias porque as estradas secundárias que serviriam como alternativa estavam fechas. Motivo? Construídas por chineses, ou estavam incompletas ou incapazes. A este propósito ouvi o primeiro elogio aos portugueses: «A construção portuguesa é muito boa, bem melhor que a brasileira.»

No que diz respeito à construção, os extremos convivem quase pacificamente: hotéis de 4 e 5 estrelas com vista e mesmo ao lado de barracas, edifícios novinhos em folha junto a outros antigos, sujos e algo degradados. No entanto — e foi a impressão com que fiquei — é uma cidade um pouco mais cuidada que Maputo: os edifícios coloniais não estão tão ao abandono, alguns foram mesmo recuperados. Há muita construção nova. MUITA. Quase não é possível obter um plano da cidade sem uma grua; há edifícios de escritórios e hotéis a nascer que nem cogumelos. As construtoras são, na sua maioria, portuguesas: Mota-Engil, Teixeira & Duarte, Somague, etc. Não é necessário o interregno para publicidade gratuita.

A Marginal está muito bem arranjada, com as suas palmeiras, espaços verdes, campos de jogos. E trata-se de um work in progress – é uma obra para continuar.

Aqui ficam algumas fotografias iradas, como disse, do interior do carro:




 
Vista do bar-esplanada do Hotel Continental



 
Cheguei a ver senhoras a levar na cabeça uma bilha de gás. Uma vénia a estas mulheres.
 

 
A nova Assembleia. Uma barraquinha, como se vê.
 


 
White House, mas em rosa.
 






 
Esta imagem não é do centro da cidade, é já na estrada em direcção à FIL.
 
 
 
Tendo passado os dias em reuniões e no pavilhão da FIL – Feira Internacional de Luanda, os poucos momentos de lazer ficaram para a noite.
Na primeira noite estivemos no bar-esplanada do Hotel Continental, mesmo junto ao mar. Na note seguinte, jantámos na residência oficial do embaixador inglês (fiquei sentada ao lado dele, que chique!). As duas últimas noites foram passadas na Ilha de Luanda (que, na verdade, é uma Península), no Lookal e no Cais de Quatro, locais de referência para a maioria dos tugas.
O Lookal fica, literalmente, na praia e o mar toca-nos nos pés; o Cais de Quatro fica do outro lado da Ilha e tem vistas magníficas da cidade de Luanda. O ambiente, em ambos, é tuga; para ser honesta, parecia que estava num restaurante junto ao Tejo ou em Cascais: excelente ambiente, boa música, comida deliciosa. A única coisa menos boa é o preço… mesmo não tendo comido os pratos mais caros da ementa, gastámos entre 65 e 80 dólares por refeição. Cada um.
Algumas fotos do Cais de Quatro:
 





 
 
 
E quanto a «turismo», estamos falados. Claro que houve episódios cómicos ou não seria uma viagem à la Vanessa, mas ficam para outro post... E o que a «madrinha» Vanessa se riu em Luanda...