Pré-aviso: este é um relato breve da minha experiência. Haverá
com toda a certeza 1 675 498 pessoas com opinião diferente, mas foram estas as
minhas impressões do pouco que vi de Luanda.
Depois de ter estado em Maputo em Março — e apesar de já
muito ter lido e ouvido sobre Luanda, porque todos temos amigos e/ou conhecidos
que lá estão/estiveram em trabalho — achei melhor manter as minhas expectativas
muuuiiiiito por baixo. Foi o melhor que fiz: nada me chocou, em particular, e
até fiquei surpreendida, pela positiva, com algumas coisas que vi.
Como pedi para ir à janela, pude apreciar a chegada à cidade
que consiste, essencialmente, em sobrevoar quilómetros e quilómetros de
barracas. Não estou a exagerar… são quilómetros e quilómetros de «barraquedo».
Depois de uma muito demorada passagem pelos serviços de
imigração, a primeira sensação à saída do aeroporto é a de estufa. Céu nublado,
calor, ar pesado, aquela sensação de sufoco própria de África. E para quem
chega vinda de Cape Town, com a sua aragem fresquinha, ui!
A partir deste momento até à hora do regresso foi puro
trabalho e muitas horas sentada no carro, parada no trânsito. O motorista andou
connosco de manhã à noite e mal nos deixou andar a pé. Se em Maputo não tive
muitas oportunidades para tirar fotografias, em Luanda só pude registar lugares
e vistas a partir do banco de trás do carro…
O trânsito é, de facto, caótico. Os poucos semáforos que
funcionam nem sempre são respeitados. As estradas são alcatroadas mas não há
grande necessidade de traços no pavimento porque o que impera é a lei da selva
ou coisa parecida: se há 4 faixas em cada sentido mas até dá para 6 carros,
porque não dar um jeitinho para caberem todos? O «pisca» também não é para
todos. Às tantas, parecia que estava numa mega pista de carrinhos de choque mas
sem a parte dos choques. Por várias vezes, e mesmo no banco de trás, fechei os
olhos e encolhi-me toda porque pensava que íamos bater em alguém ou que algum
jipão se ia «enfiar» no nosso carro. Apesar disso, acho que não é difícil a orientação
na cidade: no segundo dia, o motorista perguntou se eu já lá tinha estado
porque já sabia para que lado ficava o hotel, qual o caminho exacto para a
Feira, etc. O Guillaume apelidou-me logo de GPS!
Por duas ocasiões, o motorista conseguiu «cortar caminho»:
enfiou por uns guetos e, mesmo a conduzir a 30 km/h, pelo meio de barracas e
buracos, lá nos fez chegar mais depressa ao destino.
Segundo o motorista, o trânsito também se acumula nas
principais vias porque as estradas secundárias que serviriam como alternativa
estavam fechas. Motivo? Construídas por chineses, ou estavam incompletas ou
incapazes. A este propósito ouvi o primeiro elogio aos portugueses: «A
construção portuguesa é muito boa, bem melhor que a brasileira.»
No que diz respeito à construção, os extremos convivem quase
pacificamente: hotéis de 4 e 5 estrelas com vista e mesmo ao lado de barracas,
edifícios novinhos em folha junto a outros antigos, sujos e algo degradados. No
entanto — e foi a impressão com que fiquei — é uma cidade um pouco mais cuidada
que Maputo: os edifícios coloniais não estão tão ao abandono, alguns foram
mesmo recuperados. Há muita construção nova. MUITA. Quase não é possível obter
um plano da cidade sem uma grua; há edifícios de escritórios e hotéis a nascer
que nem cogumelos. As construtoras são, na sua maioria, portuguesas:
Mota-Engil, Teixeira & Duarte, Somague, etc. Não é necessário o interregno
para publicidade gratuita.
A Marginal está muito bem arranjada, com as suas palmeiras,
espaços verdes, campos de jogos. E trata-se de um work in progress – é uma
obra para continuar.
Aqui ficam algumas fotografias iradas, como disse, do
interior do carro:
Vista do bar-esplanada do Hotel Continental
Cheguei a ver senhoras a levar na cabeça uma bilha de gás. Uma vénia a estas mulheres.
A nova Assembleia. Uma barraquinha, como se vê.
White House, mas em rosa.
Esta imagem não é do centro da cidade, é já na estrada em direcção à FIL.
Tendo passado os dias em reuniões e no pavilhão da FIL –
Feira Internacional de Luanda, os poucos momentos de lazer ficaram para a
noite.
Na primeira noite estivemos no bar-esplanada do Hotel
Continental, mesmo junto ao mar. Na note seguinte, jantámos na residência
oficial do embaixador inglês (fiquei sentada ao lado dele, que chique!). As
duas últimas noites foram passadas na Ilha de Luanda (que, na verdade, é uma
Península), no Lookal e no Cais de Quatro, locais de referência para a maioria
dos tugas.
O Lookal fica, literalmente, na praia e o mar toca-nos nos
pés; o Cais de Quatro fica do outro lado da Ilha e tem vistas magníficas da
cidade de Luanda. O ambiente, em ambos, é tuga; para ser honesta, parecia que
estava num restaurante junto ao Tejo ou em Cascais: excelente ambiente, boa
música, comida deliciosa. A única coisa menos boa é o preço… mesmo não tendo
comido os pratos mais caros da ementa, gastámos entre 65 e 80 dólares por
refeição. Cada um.
Algumas fotos do Cais de Quatro:
E quanto a «turismo», estamos falados. Claro que houve episódios cómicos ou não seria uma viagem à la Vanessa, mas ficam para outro post... E o que a «madrinha» Vanessa se riu em Luanda...




















