terça-feira, 28 de maio de 2013

Momento «cultural» do dia


Hoje falou-se em loiras e loiras burras e eu dei um ar da minha graça com 2 ou 3 anedotas – há que aproveitar enquanto ainda me acham engraçada e exótica.

Como, involuntariamente, comecei a trautear «Loira burra…», comentaram comigo que a música portuguesa era algo peculiar. A minha expressão — estou a imaginar os meus olhões abertos ao máximo — mereceu um esclarecimento:

— Eu sei que és portuguesa mas há coisas na música portuguesa que não se cantam em inglês… por exemplo, aquela música que fala de peixe.
— Ah, a do bacalhau que quer alho! [E começo logo a cantar.]
— Isso mesmo! Nós não cantamos coisas assim, sobre comida e temas, enfim, mais vulgares…


Se eu podia ter feito ar de ofendida e desatar a filosofar sobre a qualidade da música portuguesa, contrapondo com exemplos de letras péssimas em inglês? Poder, podia, mas preferi exibir os meus conhecimentos de música ligeira portuguesa e cantei uma selecção de clássicos desde Quim Barreiros (Ponho o carro/Tiro o carro… Queres quêtechupe, Maria…) a José Cid (Como o macaco gosta de bananas eu gosto de ti ou Faz-me favas com chouriço).

São 22h e apercebi-me que me esqueci de mencionar o Rei, Nel Monteiro, e o seu «Azar na Praia»:

Ai, como é que eu hei-de, como é que eu hei-de?
Como é que eu hei-de me ir embora?
Com as perninhas todas à mostra
E os marmelinhos quase de fora…

A malta já pensa que as portuguesas são baixas, gordas, de cabelo escuro e com bigode (parece que era a imagem que as madeirenses passavam, há uns anos)… e apareço eu a cantar estas coisas! Ahahahahahah, para a próxima eu porto-me como uma lady e falo da Mariza, da Ana Moura e de todos aqueles que cantam em inglês.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Countdown...


Já tenho o bilhete comigo, pelo que já é mais seguro anunciá-lo: chego a Lisboa daqui a um mês!

Vou apenas por 2 semanas — duvido que vá ter tempo para descansar, para férias — mas já não é mau! Se tudo correr bem, regresso para o Natal e Ano Novo.

Porque é o primeiro ano, gastarei todos os dias de férias em Portugal, mas em 2014 é mais do provável que só vá a casa 1 vez: estando num país tão bonito mas tão grande, preciso de tempo para visitar outros locais fora de Cape Town e só com uns dias de férias é que consigo fazê-lo.

Mas não vou ocupar o pensamento com essas questões: começa hoje a contagem decrescente para 2 semanas de muitas saudades e abracinhos!

domingo, 26 de maio de 2013

Africa Day


25 de Maio é comemorado por todo o continente como o Dia de África, data em que se assinala a formação da Organisation of Africa Unity (OAU), em 1963. É, nas palavras da directora do Artscape Theatre, Marlene le Roux, uma oportunidade para reconhecer e honrar a herança única deixada pelos antepassados e a cultura extremamente rica e electrizante que tão bem caracteriza a diversidade dos povos africanos.

A convite da Carol, fui até ao Artscape Theatre para assistir ao espectáculo Africa Day Celebrations. A sala estava cheia — e bem «colorida», já que a diversidade racial também é uma característica deste continente!

Gostei particularmente do primeiro grupo, o South AFrican Youth Choir, um grupo de jovens entre os 13 e os 18 anos, que foi formado com base na ideia de representar a verdadeira demografia da África do Sul. E é maravilhoso ver jovens, brancos e pretos, que já não conheceram o Apartheid (o regime desapareceu mas ainda se sente) e que se sentam lado a lado, se abraçam e cantam em conjunto temas em várias línguas. Do ponto de vista artístico, foram exemplares… muito, muito bons.

Seguiram-se os Khayelitsha Mambazo (muito divertidos), os Indigenous Ensemble (temas mais melódicos mas perigosos devido à hora avançada) e a Cape Phillharmonic Youth Orchestra, sob a direcção de Mike Campbell.

Depois da actuação a solo de cada um dos grupos, juntaram-se todos em palco e foi fantástico.

Terminou com o hino nacional e com gritos e ovações em Xhosa e Zulu (acho eu!). As fotos não fazem qualquer justiça à qualidade do espectáculo mas foi a reportagem possível… A repetir!

 













 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Disclaimer

 
 
Estávamos a discutir algumas das frustrações dos últimos dias e eis que a Fátima se lembra de me mostrar isto; claro que da minha cabeça só podia sair algo como sugerir imprimir e colar na porta da sala. A partir desta semana, quem entra na sala «tuga» já sabe ao que vem!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Da saudade.


Tenho um colega que tem por hábito fazer uma ronda matinal por todos os gabinetes; e todos os dias ouço «Good morning, Portuguese!». Regra geral, os 3 falamos de trabalho ou de assuntos mais ligeiros mas, esta semana, ele disparou o seguinte «Do you miss home?» A F. respondeu de imediato que eu não tinha saudades de Portugal e que ia ficar na África do Sul para sempre (é o que diz a toda a gente, tão querida!).
Já passaram quase seis meses, é claro que tenho saudades de Portugal. Tenho saudades da Ema, da família, dos amigos, da comida da mãe, do ginásio, da minha casa. Mas suporta-se e funciona até como uma força extra para aproveitar aquilo que estou a viver e dar o melhor de mim: quem nos ama, deseja-nos nada menos do que a felicidade. Vir para a Cidade do Cabo foi das decisões mais egoístas que tomei na vida mas, perante todo o apoio que recebi, não consigo deixar de sentir que tenho de ser feliz também por quem me ama.
Gosto muito do que faço e tenho colegas fantásticos; claro que há veneno, como acontece em todas as empresas, e gente com quem não nos identificamos de forma alguma — tenho uma colega que passa pelos corredores e diz Hello a tudo o que é ser vivo, com um tom de voz extremamente irritante e que me tira do sério; hoje, quando nos cumprimentou, confessei à F. que a minha vontade é responder com um Goodbye!  — no entanto, não me posso queixar do ambiente de trabalho… em NADA. Rimo-nos muito, há brincadeiras e desabafos q.b., respeito pelos momentos de concentração, e não raras vezes tenho convites para ir a casa de colegas para jantar. Já conheço maridos, filhos, já pus crianças a dormir e dancei ao som do Justin Bieber só para que não chorassem; já troco livros sobre religião e tupperwares com restos ou novas receitas. A pouco e pouco, começo a ter uma vida. Ajuda muitíssimo estar numa cidade linda, com a qual me identifico bastante e cujo ambiente multicultural me fascina. Já tivemos belos dias de chuva mas a temperatura voltou aos 20 e picos, pelo que nem do clima me posso queixar muito.

As chuvas da Páscoa desencadearam em mim o primeiro grande momento de saudade e tristeza, uma rapariga não é de ferro, caramba. Mas arranjam-se estratégias e todos os expat têm as suas!
Para quem está longe — e com isto digo fora da Europa — acredito que a saudade reveste-se muitas vezes de medo. É isso mesmo, MEDO. Aterroriza-me a ideia de que a Ema se possa esquecer de mim, vivo apavorada com a possibilidade de ela nem querer estar perto de mim quando for a Portugal… quando começou a falar, «tia» foi das primeiras palavras 100% perceptíveis que conseguiu articular. São coisas pequenas mas não há noite em que eu não adormeça a pensar que no dia em que ela botar a vista em mim, daqui a umas semanas, vai a correr para o computador, porque é lá que a tia está.

Há outros medos, naturalmente, não menores, apenas diferentes. Para quem fica, a vida continua: aniversários, casamentos, baptizados, jantares, festas, etc. Novas histórias vão acontecer, os «sobrinhos» vão aprender novas gracinhas, as private jokes de outrora já deram lugar a outras. E eu vou estar com as pessoas e tentar dar seguimento ao que ficou em Dezembro, mas há a forte probabilidade de me sentir deslocada, como uma espectadora ou figurante de um filme em que os actores são os mesmos mas o argumento mudou e ninguém me enviou o guião.
Isto não significa que ando por aqui a chorar pelos cantos. Nada disso. Sei que esta aventura está apenas no seu início e sinto que fui talhada para isto. Mas de vez em quando a cabeça começa a pensar… e agora que começou a contagem decrescente para as férias em Portugal, a ansiedade vai tomando conta desta cabecinha fraca.





quarta-feira, 15 de maio de 2013

«Ó filha, pões tão poucas fotos...»


 
Pronto, mãe, aqui tens uma fotografia. Tudo o que eu quero é que estes papéis desapareçam até ao final de Junho porque ouvi dizer que vai haver uma festa no Sobral à qual eu gostava de ir (apesar de ainda não ter sido convidada)!

sábado, 11 de maio de 2013

Mau feitio # 1


É cada vez mais comum – quase uma moda – ver gente que usa o Facebook para, entre outras finalidades, «mandar bocas», para enviar mensagens a segundos, terceiros, etc. Já li mensagens que sabia perfeitamente serem para mim, mas optei por ignorar: os verdadeiros amigos falam connosco, sem ter de expor a conversa perante meio mundo.

Por essa razão, causa-me alguma comichão sempre que uma certa pessoa me questiona se determinadas actualizações, imagens e pensamentos são a si dirigidos. Não consegue lidar com o meu silêncio? Vive de extremos e é a sua forma de, inconscientemente, sabotar um momento de paz (por essa pessoa entendida como monotonia)?

A verdade é que, muitas das vezes, essas palavras não reflectem necessariamente o que sinto: podem ser frases de que gosto, simplesmente; podem ser espelho de situações passadas; outras vezes até podem reflectir o presente. Mas não me definem, nem a mim nem ao meu percurso. Acredito que se alguém decidisse traçar o meu perfil com base nestas situações concretas, iria obter algo com tal grau de desequilíbrio que chegaria à conclusão de que sou esquizofrénica.

As poucas pessoas que me conhecem verdadeiramente sabem que sofro para dentro, em silêncio; são raras as vezes em que falo da minha pessoa (que é diferente de falar do que faço) e ainda mais raras as vezes em que peço auxílio para tomada de decisões… quando apelo à intervenção de alguém, regra geral, é para validar uma opinião ou decisão que já tenho tomada. Por natureza — e, certamente, fruto da própria experiência de vida — sou reservada. Estratégia? Defesa? Defeito? É feitio. E o desafio é combater os momentos em que o balde está tão cheio que depois rebento em todas as direcções, atingindo meio mundo.

Mas servir-me do Facebook para isso? Não. O meu maquiavelismo vai mais longe.


[O meu mau feitio é por muitos reconhecido e, durante um determinado período, dediquei algumas horas a dormir sobre o assunto. Este texto em particular foi escrito há meses, ainda em Portugal, e não serve, de modo algum, como chapada sem mão na cara de quem quer que seja. A sério, se o barrete servir a alguém... lamento.]

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Férias? Um dia, talvez.



«E quando é que vens de férias a Portugal?» deve ser a pergunta que mais ouvi desde que cheguei à Cidade do Cabo.

Apesar de pensar nisso os dias, desde há umas semanas para cá, não sei quando poderei ter férias. E esta incerteza deriva de várias questões:

1 – O visto de trabalho. Caso o documento definitivo não chegue nos próximos dias, irei a Portugal daqui a 3 semanas, numas férias antecipadas/forçadas. Não é o ideal em termos de trabalho, mas seria excelente para trazer as roupas de Outono/Inverno. E aposto que a Mariana ia gostar da surpresa no seu 7.º aniversário!

2 – Trabalho. Sim, porque vim para trabalhar e o mercado escolar rege-se por calendários, mais do que qualquer área do mundo editorial. Tenho a agenda cheia até ao final de Junho, numa primeira fase, e previsão de mais trabalho até ao final de Setembro. Ir a Portugal com trabalho atrás não me parece exequível. Já basta a perspectiva de não ter tempo suficiente para ver todos os amigos e familiares, dar um mergulho em Santa Eulália, ver a família de Castelo Branco...

3 – O aniversário da Ema. A modos que sempre foi a data escolhida para ir a Portugal mas não sei se a agenda de trabalho me permite…

4 – A agenda social. Um festival na 1.ª quinzena de Junho na Cidade do Cabo, uma dupla e mega festa de aniversário na 1.ª quinzena de Julho aqui na zona, um casamento em Paris na segunda quinzena de Julho. E todos os aniversários em Portugal… Believe ir or not, os dilemas de Portugal perseguiram-me até à África do Sul: será que consigo estar em tudo?

5 – Dias de férias. Pelo que me dizem, sou uma privilegiada por, neste país, ter direito a 20 dias úteis de férias. Mais do que suficiente se estivesse em Portugal, mas cada viagem dura 24 horas (2 dias, na prática); se não conseguir arranjar voos ao fim-de-semana, são 4 dias de férias só para andar de avião…


É muito bonito enchermos o Facebook de frases sobre a beleza do inesperado, viver o momento, as pequenas surpresas da vida, bla bla. Muito bonito, sim senhora. Mas a vida real (pelo menos a minha) não se assemelha aos filmes lamechas em que a protagonista acorda e decide que quer viajar, bastando para isso meter uns trapitos numa mala e rumar ao aeroporto porque sabe que encontrará lugar num voo qualquer. Estas coisas precisam de ser planeadas… e se querem receber presentes, é bom que concordem comigo (porque ainda não comprei um único presente, nem para a princesa/cabrita/caganita)!