Mais uma curta passagem por Portugal. A maior parte das
pessoas não me viu; o tempo não esteve para grandes passeios pelas ruas do
Sobral e até a loucura das mensagens de Natal me passou um pouco ao lado.
Os meses de Novembro e Dezembro foram extremamente
cansativos para mim em termos de trabalho, com muitos prazos, muitos
contratempos e ainda mais desafios que nunca pensei ter de enfrentar. A pressão
foi imensa. E quando, em países diferentes, recebemos emails da directora geral, às 10h da noite, a mandar-nos deitar e
dormir, já dá para ter uma ideia da intensidade dos últimos dias.
Falhei jantares e momentos de convívio; perdi finais de
tarde magníficos. Foram dias e noites em frente ao computador, fins-de-semana enfiada
no escritório. Por isso, nada nem ninguém me podia tirar aquilo que eu mais
queria e precisava: duas semanas de puro descanso em casa dos meus pais.
Apesar da lufa-lufa própria da época, consegui ter um Natal
simples mas que me encheu o coração (e a barriga)… Ema, alguma família, alguns
amigos, muita comida da mãe, cama, sofá e TV, algumas lágrimas mas muitas
gargalhadas.
Ouvi queixas e reprimendas, senti olhares acusadores, mas
não tinha sequer energia para contestar. Se alguém se sentiu ofendido por não
ter recebido uma mensagem, um telefonema ou uma visita por parte da minha
pessoa, que apresente a sua reclamação rapidamente ou cale-se para sempre,
hehe!
Acho que por volta do dia 3 ou 4 já eu sabia que, desta vez,
a partida ia ser ainda mais difícil. Não consigo explicá-lo de forma racional,
foi mesmo muito difícil. Quando estamos longe, habituamo-nos à ausência óbvia de
algumas pessoas, coisas e lugares. Mas também rapidamente nos habituamos àquela
que sempre foi a nossa zona de conforto, e embora a África do Sul seja agora a
minha casa (e eu estou a adorar esta aventura!), não deixa de ser triste mas
assustador voltar a deixar o ninho, a casa dos pais, aquele lugar onde nada nem
ninguém nos magoa porque não há mal algum no mundo que um abraço do pai ou a
comida da mãe não cure.
O regresso ao trabalho foi quase um choque. Muito do que
deixei preparado para terceiros estava na mesma, parado; a nossa assistente
estava em casa desde o Natal, sem previsão de data de regresso… nem sei, quase
levei as mãos à cabeça. Sem apetite, com as horas do sono trocadas nem os
elogios relativamente ao meu new look
me animaram.
Mas, como em muitas outras situações da vida, é também uma
questão de mind setting. Dois dias a trabalhar
a partir de casa para me organizar, uns comprimidos para dormir e ontem acordei
a sentir-me como nova. E a forma como nos sentimos por dentro passa para fora:
quando cheguei ao escritório houve quem me dissesse “You look fantastic, Vanessa!”, ao que eu respondi “I feel fantastic!”
Hoje teve lugar a apresentação dos resultados da empresa e
toda a equipa teve direito a um enorme reconhecimento por parte dos directores
locais, mas também internacionais, pelos objectivos atingidos. Fui uma das
pessoas que teve direito a um reconhecimento individual (como exemplo dos
desafios que tivemos, fora do âmbito das nossas funções habituais), com uma
breve menção ao trabalho desenvolvido em Maputo e, até, uma pequena salva de
palmas. Pequenas coisas que, quando se juntam, se tornam grandes.
Por isso, e tal como combinei com a Lauren e a Ashleigh, o
ano novo começa esta semana! Happy 2014!
