terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Um Natal diferente


Comecemos então pela véspera de Natal, a noite de Consoada… Pois que não houve, os sul-africanos e luso-descendentes com quem me dou celebram apenas o dia de Natal. Claro que foi preciso fazer figura de tola — o que percebia das conversas, as horas que se marcavam, nada fazia sentido até me aperceber (e depois explicaram-me) deste pequeno grande pormenor.
Não pensem que fiquei triste, a sério, quem me viu pôde certificar-se de que eu estava muito animada e com «bom aspecto». Não se trata apenas do espírito e da capacidade de adaptação do ser humano a novas circunstâncias; não querendo ser demasiado lamechas, o Amor, o Carinho e a Fé são autênticas bolhas de oxigénio nestes momentos e só nos ajudam a «ver» e a «sentir» aquilo que é verdadeiramente importante… e a saber aproveitar cada coisinha que nos chega através deste mundo que é o computador.

Por isso, a minha noite de Natal foi passada em casa, com amigos e família… via Skype! Falei com muitos dos meus amigos e famílias, com a minha própria família, vi o que jantaram e até pude ver a Ema abrir os seus presentes!

 
Na manhã de dia 25, hoje, lá me juntei à minha colega Fatima e família para uma celebração na igreja que frequentam. Sendo a mensagem muito idêntica à que podemos ouvir nas celebrações católicas, a missa apostólica destacou-se sobretudo pela informalidade: o sermão foi muito dirigido às crianças (Pai Natal vs. Jesus Cristo), as pessoas permanecem sentadas durante o momento de oração (muitos têm as suas Bíblias) mas levantam-se para cantar. Os cânticos, que são algo a que tomo particular atenção, não são muito diferentes dos nossos mas têm outra vida uma vez que o acompanhamento instrumental é garantido por órgão, bateria e guitarra. Tudo isto acontece numa sala, não garantindo a envolvência quase mística de uma igreja, mesquita ou mausoléu. Mas o essencial está lá — até porque estamos a falar de dois «ramos» do Cristianismo — e pude sentir de uma forma especial o nascimento do Menino, este ano em em terras africanas.
Dali seguimos para a casa dos pais da Fatima, onde os irmãos e cunhados se iam juntar para o almoço de Natal e troca de presentes. Não tem nada que ver com a forma como celebramos em Portugal, mas o espírito é de festa, sem dúvida, e eu passei uma tarde maravilhosa!

Como a fama é algo que me precede, antes das 12:00 já o dono da casa me estava a oferecer uísque. Wow!, pensei eu, somos todos portugueses mas alto lá! Aceitei um copo de vinho tinto e não pude deixar de sentir que estava «em casa» quando me encaminharam para uma mesa com aquelas caixas de vinho com uma pequena torneira… sabem do que estou a falar? Oh, meu Deus, o que eu me ri! Não é uma coisa tão portuguesa?!

Mesmo em casa de portugueses, foi uma espécie de almoço-volante, com saladas e carnes frias, e muitas sobremesas, está claro. A fotografia não o transmite, mas foi comer e beber até a cabeça começar a tombar de sono, juro.
 
A conversa, em duas línguas, foi muito animada. E não pude deixar de reparar que durante uma conversação em inglês, as asneiras saem sempre em português: «Yeah, well, you know how things are. He is a real filho da p***.» A-D-O-R-E-I.
Foi um dia muito bem passado, que mais parecia um almoço de domingo do que um almoço de Natal, mas só posso estar 200% agradecida à Fatima e a toda a família Gonsalves (sim, está bem escrito!) pelo carinho e amabilidade com que me receberam!

Quando cheguei a casa, abri o presente que eles me ofereceram, e esperava-me também um pequeno postal natalício da família que gere o B & B onde estou hospedada. Não estou rodeada de gente querida?

 

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