Por muito que nos tentemos esquivar a essa
inevitabilidade, a vida rege-se por horários, reuniões, prazos; é um constante
cumprir de agenda. Solteira e sem filhos, e com os amigos todos casados e com
filhos, cedo dei por mim a viver a semana de trabalho no escritório, em frente
ao computador, entre livros e projectos de livros. O fim-de-semana, que poderia
ser dedicado ao descanso e vida social, foi muitas vezes passado no Sobral. E é
aqui que o discurso poderá não agradar a todos… As idas ao Sobral não eram uma
obrigação mas tornaram-se em mais um item na agenda: almoço e jantar sempre
marcado, a catequese, as visitas a amigos e familiares. E quando me perguntavam
por namorados e vida social, eu só podia encolher os ombros… Se estava ali, não
podia estar numa sala de teatro em Lisboa ou num bar ou discoteca da capital.
Claro que nunca nada me foi imposto, e que ninguém veja isto como uma
queixa/acusação, mas a verdade é que cedi facilmente e fi-lo por mim, mas
sobretudo pelos outros.
Também por isto que descrevi, sempre assumi a
aventura na África do Sul como algo de profundamente egoísta: além do desafio
profissional, seria também um desafio pessoal e social (entre outros), uma
oportunidade para me pôr em primeiro lugar, nem que seja por uns tempos apenas.
E o que são as férias? São momentos para
descansar, sem pressas, sem horários a cumprir. Pois, antes de sair da Cidade
do Cabo rumo a Lisboa, já a minha agenda estava bem preenchida (isto apesar de
alguns truques, como chegar em dia de festa de anos e ver logo uma série de
pessoas). A quem me disse «Havemos de beber um café.», nem sempre correu bem… A
quem me disse «A x horas, em local y.», já correu melhor. Aconteceu.
Tenho perfeita consciência de que há algumas
queixas relativamente ao facto de não ter visto todos os amigos e conhecidos
nas 2 semanas que passei em Portugal.
Se não estive com todos, não foi por não
querer estar com essas pessoas, por não ter saudades. Duas semanas passam muito
rapidamente e se considerarmos que tive a festa de anos da Ema (e da Lara) e
ainda me dei ao luxo de ir passar uns dias a Albufeira, não sobrou muito.
Também não poderia regressar a África sem dormir na casa de Lisboa, sem
aproveitar um pouco da cama e do sofá de que tanto senti a falta.
Se fui egoísta? Sim, em alguns momentos. Mas
as férias foram minhas.
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