Hoje falou-se em loiras e loiras burras e eu dei um ar da
minha graça com 2 ou 3 anedotas – há que aproveitar enquanto ainda me acham
engraçada e exótica.
Como, involuntariamente, comecei a trautear «Loira burra…», comentaram
comigo que a música portuguesa era algo peculiar. A minha expressão — estou a
imaginar os meus olhões abertos ao máximo — mereceu um esclarecimento:
— Eu sei que
és portuguesa mas há coisas na música portuguesa que não se cantam em inglês…
por exemplo, aquela música que fala de peixe.
— Ah, a do
bacalhau que quer alho! [E começo logo a cantar.]
— Isso
mesmo! Nós não cantamos coisas assim, sobre comida e temas, enfim, mais
vulgares…
Se eu podia ter feito ar de ofendida e desatar a filosofar
sobre a qualidade da música portuguesa, contrapondo com exemplos de letras
péssimas em inglês? Poder, podia, mas preferi exibir os meus conhecimentos de
música ligeira portuguesa e cantei uma selecção de clássicos desde Quim
Barreiros (Ponho o carro/Tiro o carro…
Queres quêtechupe, Maria…) a José Cid (Como
o macaco gosta de bananas eu gosto de ti ou Faz-me favas com chouriço).
São 22h e apercebi-me que me esqueci de mencionar o Rei, Nel
Monteiro, e o seu «Azar na Praia»:
Ai, como é que eu hei-de, como
é que eu hei-de?
Como é que eu hei-de me ir embora?
Com as perninhas todas à mostra
E os marmelinhos quase de fora…
Como é que eu hei-de me ir embora?
Com as perninhas todas à mostra
E os marmelinhos quase de fora…
A malta já pensa que as portuguesas são baixas, gordas, de cabelo escuro e com bigode (parece que era a imagem que as madeirenses passavam, há uns anos)… e apareço eu a cantar estas coisas! Ahahahahahah, para a próxima eu porto-me como uma lady e falo da Mariza, da Ana Moura e de todos aqueles que cantam em inglês.
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