É cada vez mais comum – quase uma moda – ver gente que usa o
Facebook para, entre outras finalidades, «mandar bocas», para enviar mensagens
a segundos, terceiros, etc. Já li mensagens que sabia perfeitamente serem para
mim, mas optei por ignorar: os verdadeiros amigos falam connosco, sem ter de expor
a conversa perante meio mundo.
Por essa razão, causa-me alguma comichão sempre que uma certa
pessoa me questiona se determinadas actualizações, imagens e pensamentos são a
si dirigidos. Não consegue lidar com o meu silêncio? Vive de extremos e é a sua
forma de, inconscientemente, sabotar um momento de paz (por essa pessoa
entendida como monotonia)?
A verdade é que, muitas das vezes, essas palavras não
reflectem necessariamente o que sinto: podem ser frases de que gosto,
simplesmente; podem ser espelho de situações passadas; outras vezes até podem
reflectir o presente. Mas não me definem, nem a mim nem ao meu percurso. Acredito
que se alguém decidisse traçar o meu perfil com base nestas situações
concretas, iria obter algo com tal grau de desequilíbrio que chegaria à
conclusão de que sou esquizofrénica.
As poucas pessoas que me conhecem verdadeiramente sabem que
sofro para dentro, em silêncio; são raras as vezes em que falo da minha pessoa
(que é diferente de falar do que faço) e ainda mais raras as vezes em que peço
auxílio para tomada de decisões… quando apelo à intervenção de alguém, regra
geral, é para validar uma opinião ou decisão que já tenho tomada. Por natureza
— e, certamente, fruto da própria experiência de vida — sou reservada. Estratégia?
Defesa? Defeito? É feitio. E o desafio é combater os momentos em que o balde
está tão cheio que depois rebento em todas as direcções, atingindo meio mundo.
Mas servir-me do Facebook para isso? Não. O meu maquiavelismo vai mais longe.
[O meu mau feitio é por muitos reconhecido e, durante um determinado
período, dediquei algumas horas a dormir sobre o assunto. Este texto em
particular foi escrito há meses, ainda em Portugal, e não serve, de modo algum,
como chapada sem mão na cara de quem quer que seja. A sério, se o barrete servir a alguém... lamento.]
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