sábado, 11 de maio de 2013

Mau feitio # 1


É cada vez mais comum – quase uma moda – ver gente que usa o Facebook para, entre outras finalidades, «mandar bocas», para enviar mensagens a segundos, terceiros, etc. Já li mensagens que sabia perfeitamente serem para mim, mas optei por ignorar: os verdadeiros amigos falam connosco, sem ter de expor a conversa perante meio mundo.

Por essa razão, causa-me alguma comichão sempre que uma certa pessoa me questiona se determinadas actualizações, imagens e pensamentos são a si dirigidos. Não consegue lidar com o meu silêncio? Vive de extremos e é a sua forma de, inconscientemente, sabotar um momento de paz (por essa pessoa entendida como monotonia)?

A verdade é que, muitas das vezes, essas palavras não reflectem necessariamente o que sinto: podem ser frases de que gosto, simplesmente; podem ser espelho de situações passadas; outras vezes até podem reflectir o presente. Mas não me definem, nem a mim nem ao meu percurso. Acredito que se alguém decidisse traçar o meu perfil com base nestas situações concretas, iria obter algo com tal grau de desequilíbrio que chegaria à conclusão de que sou esquizofrénica.

As poucas pessoas que me conhecem verdadeiramente sabem que sofro para dentro, em silêncio; são raras as vezes em que falo da minha pessoa (que é diferente de falar do que faço) e ainda mais raras as vezes em que peço auxílio para tomada de decisões… quando apelo à intervenção de alguém, regra geral, é para validar uma opinião ou decisão que já tenho tomada. Por natureza — e, certamente, fruto da própria experiência de vida — sou reservada. Estratégia? Defesa? Defeito? É feitio. E o desafio é combater os momentos em que o balde está tão cheio que depois rebento em todas as direcções, atingindo meio mundo.

Mas servir-me do Facebook para isso? Não. O meu maquiavelismo vai mais longe.


[O meu mau feitio é por muitos reconhecido e, durante um determinado período, dediquei algumas horas a dormir sobre o assunto. Este texto em particular foi escrito há meses, ainda em Portugal, e não serve, de modo algum, como chapada sem mão na cara de quem quer que seja. A sério, se o barrete servir a alguém... lamento.]

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