«E quando é que vens de férias a Portugal?» deve ser a
pergunta que mais ouvi desde que cheguei à Cidade do Cabo.
Apesar de pensar nisso os dias, desde há umas semanas para
cá, não sei quando poderei ter férias. E esta incerteza deriva de várias
questões:
1 – O visto de trabalho. Caso o documento definitivo não
chegue nos próximos dias, irei a Portugal daqui a 3 semanas, numas férias
antecipadas/forçadas. Não é o ideal em termos de trabalho, mas seria excelente
para trazer as roupas de Outono/Inverno. E aposto que a Mariana ia gostar da
surpresa no seu 7.º aniversário!
2 – Trabalho. Sim, porque vim para trabalhar e o mercado
escolar rege-se por calendários, mais do que qualquer área do mundo editorial.
Tenho a agenda cheia até ao final de Junho, numa primeira fase, e previsão de
mais trabalho até ao final de Setembro. Ir a Portugal com trabalho atrás não me
parece exequível. Já basta a perspectiva de não ter tempo suficiente para ver
todos os amigos e familiares, dar um mergulho em Santa Eulália, ver a família
de Castelo Branco...
3 – O aniversário da Ema. A modos que sempre foi a data
escolhida para ir a Portugal mas não sei se a agenda de trabalho me permite…
4 – A agenda social. Um festival na 1.ª quinzena de Junho na
Cidade do Cabo, uma dupla e mega festa de aniversário na 1.ª quinzena de Julho
aqui na zona, um casamento em Paris na segunda quinzena de Julho. E todos os
aniversários em Portugal… Believe ir or
not, os dilemas de Portugal perseguiram-me até à África do Sul: será que
consigo estar em tudo?
5 – Dias de férias. Pelo que me dizem, sou uma privilegiada
por, neste país, ter direito a 20 dias úteis de férias. Mais do que suficiente
se estivesse em Portugal, mas cada viagem dura 24 horas (2 dias, na prática);
se não conseguir arranjar voos ao fim-de-semana, são 4 dias de férias só para
andar de avião…
É muito bonito enchermos o Facebook de frases sobre a beleza
do inesperado, viver o momento, as pequenas surpresas da vida, bla bla. Muito bonito, sim senhora. Mas
a vida real (pelo menos a minha) não se assemelha aos filmes lamechas em que a
protagonista acorda e decide que quer viajar, bastando para isso meter uns
trapitos numa mala e rumar ao aeroporto porque sabe que encontrará lugar num
voo qualquer. Estas coisas precisam de ser planeadas… e se querem receber
presentes, é bom que concordem comigo (porque ainda não comprei um único
presente, nem para a princesa/cabrita/caganita)!

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