E passado um mês e uma semana, mudei-me finalmente para um
espaço «meu». É mais um espacinho, tipo casa-modelo do IKEA, mas que serve
perfeitamente para este segundo mas verdadeiro início de vida na África do Sul.
Estou numa pequena cottage,
uma espécie de anexo de uma vivenda. Não é uma vivenda gigante, mas tem um bom
jardim, uma boa garagem e uma piscina de água salgada que pude experimentar
logo no dia em que cheguei. Em termos práticos, estou instalada num T0, mobilado,
com loiça e electromésticos (TV inclusive) … só precisei de comprar edredão, almofadas,
lençóis, algumas toalhas, e já avancei para uns tapetes, para tornar a «coisa»
mais confortável. Tenho estacionamento, um pequeno jardim, com mesa e cadeiras,
e acesso livre à casa das máquinas, que fica num espaço exterior. Até posso
pedir uma mãozinha à Irene, a maid,
se algum dia não estiver virada para a lida da casa. Como não pago água nem luz,
nem sequer me fizeram um contrato formal, posso afirmar, com toda a certeza,
que não me posso queixar. Ah, e claro, vou a pé para o trabalho… No escritório,
todos me dizem que tenho tido muita sorte, mas acredito que, se pedirmos ajuda
de forma delicada e sincera, se formos honestos e agradecermos com um sorriso,
quando nada mais podemos oferecer… muita coisa acontece e aparece de forma
natural.
Os colegas têm sido muito prestáveis, mas nunca esquecerei o
casal que me acolheu no B & B, dois ingleses que me fizeram esquecer que eu
era uma hóspede: com tantos cuidados, ajudas e convites para jantares, quase me
senti da família. E a prova é que mal me tinha instalado na cottage já estava a receber a visita
deles: queriam certificar-se de que eu estava bem instalada, que nada me
faltava e até me trouxeram um presente, uma moldura para colocar uma fotografia
da Ema. Fiquei com lágrimas nos olhos e despedimo-nos com um See
you soon. [Na véspera, tinha-lhes deixado uma caixa toda catita com uns
«mimos» muito apreciados: biscoitos de gengibre, mini suspiros, compotas
várias, um frasco de azeitonas,… tudo coisinhas caseiras, como forma de
agradecimento por tudo.]
A primeira semana foi algo frenética, a correr os centros
comerciais da zona em busca dos itens em falta, a aprender a lidar com o
alarme, etc.
Quando me propus a procurar opções de Internet, deparei-me
com coisas estranhas: necessidade de apresentar o passaporte e prova de
residência. A África do Sul tem uma coisa chamada RICA que, basicamente, diz
respeito à segurança dos cidadãos e do país e que obriga a um registo
específico nestas situações. Bom, lá apresentei uma solução (uma vez que não tenho
contrato de arrendamento, luz ou água) e arranjei uma carta dos senhorios, que
não recebeu qualquer objecção por parte da Vodacom.
No entanto, para activar o modem (UBS stick) é necessário activar o cartão SIM. E quanto tempo
é que isso levou? 48 horas. Sim, 48 horas. Stressei mais com a pressão de
terceiros (para ter Internet asap) do
que com a espera em si… sinal de que já estou a «abraçar» o ritmo de vida
africano, ahah!
Enfim, todo este relato (que de interessante, tem muito pouco) para dizer que poderei, finalmente,
continuar a deixar os meus pequenos apontamentos no blogue. Sem pretensiosismos,
sem grandes artifícios de linguagem — apenas uma forma de partilhar esta minha
aventura e de me sentir mais próxima de todos os que, por um motivo ou por
outro, me lêem.
MISS U ALL.
Boa sorte para ti nesta nova fase dessa aventura!
ResponderEliminar(Sou uma conterrânea tua, ou quase, amiga da Rita e do Carlos)
Beijinhos. :)
Obrigada e um beijinho! E muito sucesso :-)
EliminarPermita-me que lhe diga que eu sou um dos que, por um motivo ou outro, a tenho lido desde o início, e sempre. E tenho vindo muitas mais vezes "à procura", em vão. Nunca quis comentar, porque enfim...acho que compreenderá. Também não quis ser o primeiro ... Parece-me que este meu é o segundo comentário deste seu blogue. Claro que tenho gostado de a ler, e tenho "aprendido" algo sobre essa gente, esses costumes, o que me é grato.
ResponderEliminarNão sei como um homem se despede aí, por escrito, de uma "senhora", e atendendo aos "hábitos" que por aí há!... Aqui despedimo-nos, habitualmente, com
Um abraço
Auzendo
Muito obrigada, sr. Auzendo (eu sei que o Senhor está no Céu, mas não consigo largar!) Espero vir a relatar muitos mais hábitos e costumes, e muitas mais aventuras por terras de África. Comente sempre que quiser, não se acanhe!
ResponderEliminarUm abraço,