Quem me conhece, sabe que sou uma pessoa pouco dada a beijinhos e
demonstrações de afecto para com aqueles que não me são próximos, mas
considero-me uma pessoa educada e simpática q.b.
Profissionalmente falando, odeio o estúpido modelo português de hierarquias,
com doutores e engenheiros em tudo o que é escritório e empresa, mas é disso
que o país gosta e habituei-me a, nesses contextos, cumprimentar as pessoas com
um aperto de mão e/ou um beijinho na cara, se tanto.
Estava entusiasmada por voltar a um ambiente informal, que já tinha
experimentado em Espanha, Inglaterra, França, Itália, e o piquenique da
primeira semana veio provar esta informalidade. No entanto, não estava
preparada para o contacto físico que aqui parece reinar...
O cumprimento «normal» consiste num beijo na cara e um abraço... GOD, o que
esta gente gosta de abraços. No Natal, dei 2 beijinhos à minha colega Fatima e
ela berrou logo por um abraço (mais do que merecido e justificado, neste
caso!). E nestas primeiras semanas, tudo bem, um abraço é uma excelente forma
de reconhecer o que têm feito por mim... Mas beijos na boca?
Sim, porque entre familiares, amigos e alguns colegas de trabalho, é comum
dar um beijo na boca seguido de um
abraço. Já o vi em casa de outras pessoas, no escritório, nas ruas... Aconteceu-me
ter de afastar a cara, como se fosse mal-educada, para não levar com um beijo
na boca.
Não me levem a mal, mas isso já é muito para mim.
Apesar de falarmos em inglês uns com os outros, estou mais do que
agradecida por trabalhar com um português, um brasileiro, uma luso-descendente
e uma inglesa. E fora do escritório dou-me com ingleses, essencialmente, e
sul-africanos que já trabalharam na Europa, logo, estão conscientes destas
«diferenças».
Novos horários e novas rotinas: sim. Conduzir do outro lado da estrada: sim. Uma abracinho de vez em quando: sim. Mas beijos na boca a amigos e colegas: NÃO.

Sem comentários:
Enviar um comentário