Um mês depois de abandonar Sobral de Monte Agraço rumo à
Cidade do Cabo, a «piquena» chegou!
Ao que parece, chegou pouco tempo depois. Mas os senhores da
Alfândega decidiram abrir a caixa… E tudo isto na segunda quinzena de Dezembro,
em que, para além das férias do Natal, há 4 feriados! Uns dias depois, enviam
uma carta a dar conta que a dita cuja ficou «presa» e que preciso de
contactá-los. Pelo telefone, dizem-me que posso ser considerada traficante caso
não apresente comprovativo de compra de tudo o que consta na encomenda.
Seguindo os conselhos de uma pessoa mais velha, bati o pé e respondi: «Não lhe
arranjo qualquer carta de Portugal, nem vale a pena insistir. Posso, sim,
enviar recibos e cópia não certificada do passaporte. Mais nada.» Lá enviei a
papelada toda, sempre com um sorriso nos lábios e um pensamento presente: Quero ver de que serve a porcaria dos papéis
em português! Até podem ser falsos! Passam os dias e nada… Hoje telefonei
novamente e, depois de ter sido reencaminhada para a secção internacional,
recebo a bela notícia de que a encomenda já pode ser recolhida na estação de
correios do Howard Centre, mesmo em frente ao escritório. 13:30, 38 ºC e eu com
uma caixa de cartão cheia de fita autocolante nos braços.
Horas depois, já em casa, dediquei-me à exploração do
conteúdo da encomenda…
Está tudo comestível. Nunca pensei que bolo-rei e uma fatia de queijo de Nisa soubessem tão bem no pico do Verão! Obrigada, papá e mamã, pela bela surpresa que, acima de tudo, vinha embrulhada com muito amor e carinho!



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