A casa de bonecas onde estou instalada desde Janeiro já
tinha uma televisão, daquelas bem antigas, com uma qualidade de imagem bem
fraquita e agravada pelo facto de funcionar com uma antena interior. Como não
tenho passado muito tempo em casa — eu trabalho, nunca é demais recordar — tem
dado para o gasto.
No entanto, a Páscoa de 4 dias, que trouxe consigo o
princípio do Outono e as chuvas, foi um grande abre-olhos. Perante a
inevitabilidade de começar a ter de passar mais tempo em casa, impunha-se fazer
algo. O sinal da antena nunca será perfeito e a qualidade da televisão
sul-africana é tal que sinto saudades dos nossos canais públicos, mas ver
filmes e séries num aparelho mais moderno torna a coisa mais agradável (isso de
ver no computador é para a malta nova e eu já passo o dia todo em frente ao
portátil).
Andei uns dias a ver modelos e a comparar preços.
Recentemente, uma pessoa de Portugal chamou-me forreta… no entanto, quem me
conhece bem, e principalmente os meus pais, sabe que sou um pouquinho agarrada,
sim, mas poupada e cautelosa nos meus «investimentos». Como é tudo importado,
os preços são ligeiramente superiores ao que estamos habituados, mas a
diferença de preços entre 23 e 32 polegadas é tão reduzida que achei que mais
valia ir para este último. E se vou estar aqui durante 2 anos, num país onde
chove tanto…
Lá aproveitei uma promoção da loja e avancei para a compra
da dita cuja, até que o funcionário me pede a TV license. A… what? Não é mais do que mais uma
forma de o Zuma tirar dinheiro ao povinho, mas o jovem lá explicou que é obrigatória
uma licença de TV, licença essa que pode ser adquirida nos correios cá do
sítio. Custa R 250 e deve ser renovada anualmente, claro… São pouco mais de 20
euros; não é muito mas num país com 50 milhões de habitantes…
Estamos
em África — as coisas ainda seguem por fax, os sistemas informáticos do Estado
vão abaixo — por isso ainda demorou um par de dias a obter o documento.
Mas
esta jeitosa já cá mora…

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