domingo, 6 de outubro de 2013

Ek is klein ma getrein!


Agora que estou devidamente instalada — ou, pelo menos, com todos os meus pertences na nova barraca — já estão reunidas as condições para fazer um pequeno resumo destes últimos dias.

Uma vez que a empresa dá 1 dia para quem muda de casa, achei que tinha mesmo de usufruir dele e marquei para a sexta-feira, para ter um fim-de-semana comprido. Mesmo não tendo muita coisa para transportar comigo, foi o melhor que fiz: é domingo e eu ainda me sinto cansada.

Apesar das inúmeras ofertas de ajuda, armei-me em teimosa e decidi fazer tudo sozinha. Havia gente com jipes e carrinhas prontas a ajudar, mas eu achei que 2 bracinhos e um Opel Corsa haviam de dar. E tudo se fez, mas contabilizei 4 viagens entre Pinelands e a cidade!

Não havendo estacionamento mesmo à porta do complexo, deixei o carro o mais perto possível e comecei a levar as malas para a recepção. Os seguranças/porteiros devem ter tido pena de mim (e os meus olhinhos de Bambi nunca falham!) e ofereceram-se para carregar tudo até ao apartamento, ajuda que não recusei. Menos mal!

A primeira impressão foi que o inglês dos seguranças/porteiros é muito superior ao meu, porque foi uma trabalheira para conseguir entendê-los. Mas depois lá percebi que eles comem palavras, mais precisamente os verbos (tipo, as palavras que ditam a acção numa frase): You moving in? You new? You alone? Flat empty or someone there? Anda uma pessoa a estudar inglês desde os 10 anos, a ler Shakespeare, Poe e Julian Barnes na faculdade, e a fazer testes e exames carregadinhos de gramática para isto.

Do elevador até ao meu apartamento, são uns bons minutos de caminhada, acho que dou a volta ao edifício — é o preço a pagar pela vista! E os corredores são em tudo semelhantes ao que vemos nos filmes norte-americanos: portas e portas numeradas, de onde saem inúmeros ruídos, também muito ao género de um hotel. Fazer estes corredores depois de uma ida à discoteca também deve ser bom, com dores nos pés e tal, e se o nível de sangue no álcool estiver no ponto… ui. E se antes eu achava que fazia algum exercício por ir a pé para o trabalho, acho que agora vou caminhar muito mais.

Assim que abri a porta do apartamento, pensei «Bolas, as janelas ficaram abertas desde terça-feira!» Pois, a vista é muito linda e tal mas o ruído do vento de Cape Town não perdoa e parece que me entra pela casa dentro. Os alumínios são também uma bela porcaria, mas isso é coisa que tenho notado desde o dia em que cheguei à África do Sul. Não é que perceba muito do assunto, mas sendo esse um dos negócios da minha família, aprendi a avaliar o material. E se o meu rico paizinho aqui estivesse, era a primeira coisa que fazia: umas belas janelas com vidro duplo, para proteger do som e vento. Mas enfim, pai, fica aqui o apelo: quando vierem de visita, traz umas fitas de material isolante para aplicar nos caixilhos, sim? Até lá, vou ver o que consigo desenrascar, até pode ser que me habitue ao uivar do vento.

Com a primeira leva de malas já em casa, lá me dirigi ao edifício do estacionamento. Oh, que alegria! Estacionamento no 5.º piso, numa verdadeira subida em caracol a fazer lembrar o estacionamento do El Corte Inglès. Bom, é capaz de não ser tão mau, mas ninguém me apanha a fazer aquilo às tantas da manhã, depois de uma noitada na discoteca!!! Especialmente porque é proibido buzinar, tem de ser tudo com sinais de luzes…. Yeah, right! Deve ser por isso que há uma fila de táxis em frente ao complexo e já me estou a ver a deixar o popó em casa em noites de saída.

Parece que me calhou o fim-de-semana mais ventoso dos últimos tempos. Continuo a achar que a Metalagreste faria muito e bom negócio por aqui.

Gosto muito que haja uma loja de conveniência à entrada do complexo: para além de comida e bebida, tem ATM e dá para carregar o telemóvel e comprar electricidade (assunto para outro post, um dia, sobre electricidade pré-paga).

Já avistei alguns vizinhos no elevador: tudo gente nova, a regressar do trabalho com jantar dentro de um saquinho. Mas com 5 pisos, e cerca de 30 apartamentos em cada um, vou demorar uma eternidade até ver a maioria.

O meu apartamento fica num cantinho, só com um outro apartamento ao lado, o que me deixou mais ou menos descansada relativamente a possíveis vizinhos barulhentos. Pois… acho que a criatura mais barulhenta deste piso está mesmo ao meu lado, só não me incomoda muito porque da porta até à sala/cozinha tenho um belo corredor. Gosto da música que de lá sai, mas preciso de lhe ver o focinho para decidir se vai ser uma relação de amor ou ódio.

E por falar em ruído, já disse que o vento de Cape Town arruma o do Sobral a um canto? E que a Metalagreste faria uma fortuna por aqui em marquises e janelas duplas?

O apartamento está mobilado e tem a maior parte do que é essencial, mas os próximos tempos serão de personalização do espaço (na medida dos possíveis, que o estaminé também não é grande e a proprietária não me deixa fazer grandes mudanças). Mesmo assim, e ao fim de 3 dias, já me sinto em casa. Estar sentada no sofá ou na mesa, de frente para a montanha, é verdadeiramente mágico.

Gosto de ter segurança no prédio. No sábado tive a minha primeira visita e a pessoa teve de deixar nome e contactos à entrada, quem ia visitar e em que apartamento, e ficam registadas as horas de entrada e saída. Gosto muito.

Deixaram-me um livrinho com todos os restaurantes da zona que fazem entrega ao domicílio. A encomenda online e entrega da pizza correu muito bem e os preços agradaram-me (Telepizza e Pizza Hut, vocês passaram à História!). Acho que vou ser muito feliz com tanto restaurante tailandês e indiano aqui à volta.

Os três malões de roupa continuam por arrumar. Mãaaaeeeeee! Onde estás tu nestas alturas?

Mesmo com tanta roupa e tanto sapato, e depois de ter rogado 1001 pragas enquanto fazia as malas, não dou 2 dias para me andar a lamentar que não tenho nada para vestir.

E o vento, meu Deus, e o vento? Paaaaaaaiiiiiiiiii! Não queres abrir uma sucursal da Metalagreste por aqui?

Estou cansada e acho que, por esta altura, já estão fartos de tanta conversa de treta, não? Isto é, para quem lê até ao fim! Por isso, e porque fotografias é que é bom, aqui ficam umas (poucas) imagens:
 
 
Ainda em Pinelands.

 
Primeiro round.

 
Isto foi na sexta-feira. É domingo à noite e as malas continuam no mesmo sítio, shame on me!

 
Não gosto de colocar online as fotografias das «minhas» crianças mas é uma excepção (e se as mães quiserem posso retirar esta imagem): depois de anos a decorar os frigoríficos dos outros, está na altura de me ajudarem a decorar o meu, que tal?

 
Compra mais importante do fim-de-semana. Achei que tinha o meu nome escrito.
 
 
 
Ah, e o título deste post? A minha primeira frase em Afrikaans!
 

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