Agora que estou devidamente instalada — ou, pelo menos, com
todos os meus pertences na nova barraca — já estão reunidas as condições para
fazer um pequeno resumo destes últimos dias.
Uma vez que a empresa dá 1 dia para quem muda de casa, achei
que tinha mesmo de usufruir dele e marquei para a sexta-feira, para ter um
fim-de-semana comprido. Mesmo não tendo muita coisa para transportar comigo,
foi o melhor que fiz: é domingo e eu ainda me sinto cansada.
Apesar das inúmeras ofertas de ajuda, armei-me em teimosa e
decidi fazer tudo sozinha. Havia gente com jipes e carrinhas prontas a ajudar,
mas eu achei que 2 bracinhos e um Opel Corsa haviam de dar. E tudo se fez, mas
contabilizei 4 viagens entre Pinelands e a cidade!
Não havendo estacionamento mesmo à porta do complexo, deixei
o carro o mais perto possível e comecei a levar as malas para a recepção. Os
seguranças/porteiros devem ter tido pena de mim (e os meus olhinhos de Bambi
nunca falham!) e ofereceram-se para carregar tudo até ao apartamento, ajuda que
não recusei. Menos mal!
A primeira impressão foi que o inglês dos seguranças/porteiros
é muito superior ao meu, porque foi uma trabalheira para conseguir entendê-los.
Mas depois lá percebi que eles comem palavras, mais precisamente os verbos
(tipo, as palavras que ditam a acção numa frase): You moving in? You new? You
alone? Flat empty or someone there? Anda uma pessoa a estudar inglês desde os
10 anos, a ler Shakespeare, Poe e Julian Barnes na faculdade, e a fazer testes
e exames carregadinhos de gramática para isto.
Do elevador até ao meu apartamento, são uns bons minutos de
caminhada, acho que dou a volta ao edifício — é o preço a pagar pela vista! E
os corredores são em tudo semelhantes ao que vemos nos filmes norte-americanos:
portas e portas numeradas, de onde saem inúmeros ruídos, também muito ao género
de um hotel. Fazer estes corredores depois de uma ida à discoteca também deve
ser bom, com dores nos pés e tal, e se o nível de sangue no álcool estiver no
ponto… ui. E se antes eu achava que fazia algum exercício por ir a pé para o
trabalho, acho que agora vou caminhar muito mais.
Assim que abri a porta do apartamento, pensei «Bolas, as
janelas ficaram abertas desde terça-feira!» Pois, a vista é muito linda e tal
mas o ruído do vento de Cape Town não perdoa e parece que me entra pela casa
dentro. Os alumínios são também uma bela porcaria, mas isso é coisa que tenho
notado desde o dia em que cheguei à África do Sul. Não é que perceba muito do
assunto, mas sendo esse um dos negócios da minha família, aprendi a avaliar o
material. E se o meu rico paizinho aqui estivesse, era a primeira coisa que
fazia: umas belas janelas com vidro duplo, para proteger do som e vento. Mas
enfim, pai, fica aqui o apelo: quando vierem de visita, traz umas fitas de material
isolante para aplicar nos caixilhos, sim? Até lá, vou ver o que consigo
desenrascar, até pode ser que me habitue ao uivar do vento.
Com a primeira leva de malas já em casa, lá me dirigi ao
edifício do estacionamento. Oh, que alegria! Estacionamento no 5.º piso, numa
verdadeira subida em caracol a fazer lembrar o estacionamento do El Corte
Inglès. Bom, é capaz de não ser tão mau, mas ninguém me apanha a fazer aquilo
às tantas da manhã, depois de uma noitada na discoteca!!! Especialmente porque
é proibido buzinar, tem de ser tudo com sinais de luzes…. Yeah, right! Deve ser por isso que há uma fila de táxis em frente
ao complexo e já me estou a ver a deixar o popó em casa em noites de saída.
Parece que me calhou o fim-de-semana mais ventoso dos
últimos tempos. Continuo a achar que a Metalagreste faria muito e bom negócio
por aqui.
Gosto muito que haja uma loja de conveniência à entrada do
complexo: para além de comida e bebida, tem ATM e dá para carregar o telemóvel
e comprar electricidade (assunto para outro post,
um dia, sobre electricidade pré-paga).
Já avistei alguns vizinhos no elevador: tudo gente nova, a regressar
do trabalho com jantar dentro de um saquinho. Mas com 5 pisos, e cerca de 30
apartamentos em cada um, vou demorar uma eternidade até ver a maioria.
O meu apartamento fica num cantinho, só com um outro apartamento
ao lado, o que me deixou mais ou menos descansada relativamente a possíveis
vizinhos barulhentos. Pois… acho que a criatura mais barulhenta deste piso está
mesmo ao meu lado, só não me incomoda muito porque da porta até à sala/cozinha
tenho um belo corredor. Gosto da música que de lá sai, mas preciso de lhe ver o
focinho para decidir se vai ser uma relação de amor ou ódio.
E por falar em ruído, já disse que o vento de Cape Town
arruma o do Sobral a um canto? E que a Metalagreste faria uma fortuna por aqui em
marquises e janelas duplas?
O apartamento está mobilado e tem a maior parte do que é
essencial, mas os próximos tempos serão de personalização do espaço (na medida
dos possíveis, que o estaminé também não é grande e a proprietária não me deixa
fazer grandes mudanças). Mesmo assim, e ao fim de 3 dias, já me sinto em casa.
Estar sentada no sofá ou na mesa, de frente para a montanha, é verdadeiramente
mágico.
Gosto de ter segurança no prédio. No sábado tive a minha
primeira visita e a pessoa teve de deixar nome e contactos à entrada, quem ia
visitar e em que apartamento, e ficam registadas as horas de entrada e saída.
Gosto muito.
Deixaram-me um livrinho com todos os restaurantes da zona
que fazem entrega ao domicílio. A encomenda online
e entrega da pizza correu muito bem e os preços agradaram-me (Telepizza e Pizza
Hut, vocês passaram à História!). Acho que vou ser muito feliz com tanto
restaurante tailandês e indiano aqui à volta.
Os três malões de roupa continuam por arrumar. Mãaaaeeeeee!
Onde estás tu nestas alturas?
Mesmo com tanta roupa e tanto sapato, e depois de ter rogado
1001 pragas enquanto fazia as malas, não dou 2 dias para me andar a lamentar
que não tenho nada para vestir.
E o vento, meu Deus, e o vento? Paaaaaaaiiiiiiiiii! Não
queres abrir uma sucursal da Metalagreste por aqui?
Estou cansada e acho que, por esta altura, já estão fartos
de tanta conversa de treta, não? Isto é, para quem lê até ao fim! Por isso, e porque fotografias é
que é bom, aqui ficam umas (poucas) imagens:
Ainda em Pinelands.
Primeiro round.
Isto foi na sexta-feira. É domingo à noite e as malas continuam no mesmo sítio, shame on me!
Não gosto de colocar online as fotografias das «minhas» crianças mas é uma excepção (e se as mães quiserem posso retirar esta imagem): depois de anos a decorar os frigoríficos dos outros, está na altura de me ajudarem a decorar o meu, que tal?
Compra mais importante do fim-de-semana. Achei que tinha o meu nome escrito.
Ah, e o título deste post? A minha primeira frase em Afrikaans!





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